
Nos últimos meses, o pastor Malafaia chegou a fazer críticas à estratégia da família Bolsonaro e declarou que Flávio ainda não havia “empolgado” como candidato.
Por Delmo Menezes
O pastor Silas Malafaia declarou apoio público ao senador Flávio Bolsonaro como pré-candidato à Presidência da República durante culto realizado neste domingo (3), na igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. A presença do parlamentar no evento religioso marcou um gesto simbólico e político de alinhamento entre liderança evangélica e o projeto eleitoral do PL.
Culto marca gesto político e religioso
Flávio Bolsonaro chegou ao culto acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, para um café da manhã reservado com Malafaia e sua esposa, Elizete. Durante a celebração, o pastor convidou o senador e outros políticos ao palco e realizou uma oração com todos ajoelhados.
“Não estão se ajoelhando diante de mim, mas de Deus”, afirmou Malafaia, em referência ao momento, que teve forte repercussão entre apoiadores e críticos.
Entre os presentes estavam o ex-prefeito do Rio Marcelo Crivella, o ex-governador Cláudio Castro, o deputado Sóstenes Cavalcante e o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, Douglas Ruas.
Mudança de posição e pragmatismo político
O apoio público representa uma inflexão na posição de Malafaia, que anteriormente demonstrava preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como nome mais competitivo para enfrentar o PT nas eleições presidenciais.
Nos últimos meses, o pastor chegou a fazer críticas à estratégia da família Bolsonaro e declarou que Flávio ainda não havia “empolgado” como candidato. Apesar disso, reafirmou agora sua lealdade ao grupo político liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Eu sou amigo dos Bolsonaros há muito tempo e tenho canal direto com eles. Eu apoio Flávio, e ele sabe disso há muito tempo. Por acaso vou votar em alguém de esquerda? Claro que não”, declarou Malafaia.
Segundo aliados, a consolidação do nome de Flávio dentro do PL encerrou as divergências internas e levou lideranças evangélicas a alinharem discurso em torno de uma candidatura única.
Estratégia mira base evangélica
O apoio do pastor é considerado estratégico para a pré-campanha, especialmente na tentativa de unificar o eleitorado evangélico. O PL tem estruturado uma agenda nacional com visitas a grandes denominações religiosas, buscando ampliar a capilaridade do nome de Flávio Bolsonaro.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram a força desse segmento: a Assembleia de Deus, por exemplo, reunia mais de 12 milhões de fiéis no último levantamento detalhado por denominação, seguida por outras igrejas pentecostais e tradicionais com milhões de adeptos em todo o país.
A agenda do senador já incluiu encontros com lideranças como José Wellington Bezerra da Costa, uma das principais referências da Assembleia de Deus no Brasil.
Bastidores e disputas regionais
Além do apoio eleitoral, o encontro também serviu para discussões políticas regionais, como a sucessão no governo do Rio de Janeiro. O grupo bolsonarista articula alternativas para o comando do estado após mudanças recentes na linha sucessória, envolvendo decisões do Supremo Tribunal Federal.
O cenário estadual segue indefinido, com disputas jurídicas e políticas em andamento, o que amplia a importância de alianças como a consolidada neste domingo.
Malafaia na mira do STF
O apoio político ocorre em meio a um momento delicado para o pastor no campo jurídico. Recentemente, a Primeira Turma do STF decidiu torná-lo réu por injúria contra generais do Exército, rejeitando, no entanto, a acusação de calúnia.
A decisão reforça o protagonismo de Malafaia não apenas no campo religioso, mas também no debate político nacional, onde atua como uma das vozes mais influentes do segmento evangélico conservador.
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Da Redação do Agenda Capital




