Ex-governador do DF Ibaneis (MDB) e a governadora Celina Leão (PP). Foto: Renato Alves / Ag. Bsa

Crise entre Celina e Ibaneis leva MDB nacional a assumir articulação para 2026

Por Delmo Menezes

O MDB do Distrito Federal voltou a fazer jus à fama de ser um dos partidos mais habilidosos — e também mais complexos — da política brasileira. Diante do acirramento das disputas internas sobre os rumos da legenda nas eleições de 2026, a Executiva Nacional decidiu assumir protagonismo na condução das negociações e criar uma comissão de conciliação para evitar um racha que poderia comprometer os planos eleitorais do partido no DF.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira (11) e estabelece um modelo de gestão compartilhada entre a direção nacional e o diretório regional para definir candidaturas, alianças e coligações.

A comissão será coordenada pelo líder do MDB na Câmara dos Deputados, Isnaldo Bulhões (AL), e contará ainda com os deputados Rafael Prudente (DF), Iza Arruda (PE) e Newton Cardoso Júnior (MG), além do presidente da Câmara Legislativa do DF, Wellington Luiz.

Em nota, a Executiva Nacional deixou claro que não haverá intervenção no MDB-DF e que o atual presidente regional, Wellington Luiz, permanece no cargo. Ao mesmo tempo, a direção nacional passará a acompanhar de perto todas as decisões estratégicas da legenda para as eleições de 2026.

Celina ou candidatura própria?

A principal divergência dentro do MDB gira em torno da sucessão no Palácio do Buriti.

Uma ala defende a manutenção da aliança com a governadora Celina Leão (PP), apoiando sua reeleição em troca do apoio do grupo governista à candidatura do ex-governador Ibaneis Rocha ao Senado.

Outra corrente entende que o partido deve romper com Celina e apresentar candidatura própria ao Governo do Distrito Federal, preservando o protagonismo histórico da legenda.

Apesar da divergência, a nota divulgada pela direção nacional aponta qual é, neste momento, o caminho preferencial da legenda.

“O MDB vai seguir com as tratativas para a composição de uma aliança com a governadora Celina Leão, visando à presença do MDB na chapa para o Senado com a pré-candidatura do ex-governador Ibaneis Rocha”, informou o partido.

A declaração demonstra que, pelo menos inicialmente, a direção nacional trabalha para reconstruir pontes entre os dois grupos e evitar uma ruptura definitiva.

Rafael Prudente e Wellington comemoram decisão

Para o deputado federal Rafael Prudente, a deliberação da Executiva Nacional ajuda a encerrar a crise interna.

Segundo ele, a nacional assumiu a condução das definições sobre candidaturas e alianças, o que permitirá maior equilíbrio entre os diferentes grupos que disputam espaço dentro da legenda.

Já Wellington Luiz classificou a decisão como um reconhecimento ao trabalho desenvolvido pelo diretório regional.

O presidente do MDB-DF ressaltou que não existia justificativa para qualquer tipo de intervenção e que a manutenção da atual direção demonstra confiança da cúpula nacional na condução partidária.

A crise entre Celina e Ibaneis

A turbulência no MDB é reflexo direto do rompimento político ocorrido entre Celina Leão (PP) e Ibaneis Rocha (MDB) nos últimos meses.

Aliados durante os dois mandatos do ex-governador, os dois passaram a trocar declarações públicas após Celina assumir definitivamente o Governo do Distrito Federal quando Ibaneis deixou o cargo para preparar sua candidatura ao Senado.

O ponto de maior desgaste ocorreu quando a governadora manifestou apoio às pré-candidaturas da deputada federal Bia Kicis e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Senado, movimento visto por aliados de Ibaneis como uma ameaça ao espaço político que o MDB pretendia ocupar na chapa governista.

Na sequência, Ibaneis afirmou ter acumulado “muitas decepções” com os rumos adotados pela sucessora. Celina respondeu dizendo que recebeu uma situação difícil no Banco de Brasília e disparou uma frase que repercutiu fortemente nos bastidores políticos: “sucessão não é submissão”.

O MDB sendo MDB

A decisão da Executiva Nacional revela uma característica histórica do MDB: antes de escolher lados, o partido costuma buscar uma composição que contemple os diversos interesses internos.

Ao invés de promover uma intervenção ou permitir que a disputa se aprofundasse, a direção nacional optou pela tradicional fórmula emedebista da negociação, do diálogo e da construção de consensos.

O objetivo é claro: preservar a unidade da legenda e manter o partido competitivo tanto na disputa majoritária quanto nas eleições proporcionais.

Nos próximos dias, a comissão liderada por Isnaldo Bulhões terá a missão de aproximar grupos que hoje defendem projetos distintos. O resultado desse trabalho deverá ser conhecido durante o período das convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto.

Até lá, uma certeza parece permanecer na política do Distrito Federal: quando o assunto é MDB, nada está decidido até que tudo esteja decidido.

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Da Redação do Agenda Capital

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