
O anúncio foi feita na manhã desta quarta-feira (07/01) pela governadora em exercício Celina Leão (PP) durante inauguração de um campo sintético em Sobradinho.
Por Delmo Menezes
A governadora em exercício do Distrito Federal, Celina Leão (PP), anunciou nesta quarta-feira (7/1) que solicitou à Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) a realização de estudos técnicos para avaliar a inclusão de medicamentos à base de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro — no protocolo de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) voltado à redução de peso. A declaração foi feita durante a inauguração do campo de futebol sintético da Vila Dnocs, em Sobradinho.
Segundo Celina, a proposta do Governo do Distrito Federal (GDF) é oferecer o tratamento, inicialmente, a pacientes com obesidade mórbida, especialmente aqueles que não têm condições financeiras de arcar com o alto custo do medicamento. “Isso é política pública de saúde, sim. Há pessoas com 150, 200 quilos que precisam desse tratamento e simplesmente não têm acesso”, afirmou a governadora em exercício.
Celina destacou que a incorporação de tecnologias modernas ao SUS pode gerar economia ao sistema de saúde a médio e longo prazo, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. “A tecnologia de ponta precisa estar à disposição do SUS para quem mais precisa. Imagine o número de cirurgias que vamos economizar e quantas pessoas deixarão de sofrer infartos e outras complicações provocadas pelo excesso de peso. Vamos investir em saúde, em esporte e muito em educação”, ressaltou.
Medicamento e impacto na saúde pública
A tirzepatida é indicada principalmente para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e para o controle do peso em adultos. O princípio ativo está presente nos medicamentos Mounjaro e Zepbound, amplamente utilizados em outros países e associados a resultados expressivos na redução de peso e no controle de doenças metabólicas.
De acordo com a governadora, a Secretaria de Saúde já foi oficialmente acionada para iniciar os estudos necessários à adoção de um protocolo específico para o tratamento da obesidade no SUS do DF. “Vários estados já adotaram protocolos locais. É inegável que o tratamento tem mostrado resultados positivos para quem consegue pagar pelo medicamento”, observou Celina.
Cenário internacional e disputa no mercado
O anúncio ocorre em um momento de intensa disputa global no mercado de medicamentos para emagrecimento. Na segunda-feira (5), a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk iniciou, nos Estados Unidos, a venda do Wegovy em versão comprimido, após aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA). A nova apresentação, de uso diário, surge como alternativa para pacientes que não se adaptam aos medicamentos injetáveis.
O comprimido contém semaglutida, o mesmo princípio ativo dos tratamentos injetáveis Wegovy e Ozempic, e amplia a concorrência com a americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida.
Inclusão no DF
No Distrito Federal, a inclusão de medicamentos como o Mounjaro no SUS ainda depende de estudos de viabilidade técnica, impacto orçamentário e definição de critérios clínicos para o uso seguro e responsável. A iniciativa, no entanto, sinaliza uma mudança importante na abordagem do tratamento da obesidade, reconhecida como uma doença crônica e um dos principais desafios de saúde pública no país.
Caso os estudos avancem, o DF poderá se tornar uma das primeiras unidades da federação a oferecer terapias de última geração para o controle do peso dentro da rede pública, ampliando o acesso a tratamentos inovadores e reduzindo complicações associadas à obesidade.
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Da Redação do Agenda Capital




