Por Delmo Menezes*
À medida que o calendário avança rumo às eleições de 2026, o Distrito Federal volta a viver uma de suas maiores tradições políticas: a multiplicação de pré-candidaturas sem base social consolidada. Nos bastidores, o que se vê é um cenário típico de “muitos caciques para poucos índios”. Diversos grupos tentam emplacar nomes, como se apenas a vontade de meia dúzia de aliados fosse suficiente para viabilizar um projeto majoritário. Falta liderança verdadeira — aquela que agrega, articula e dialoga com diversos setores da sociedade e do espectro político.
A política, como se sabe, não é uma corrida solo. Ela é um exercício permanente de construção coletiva. Não basta vontade pessoal ou impulsos vaidosos. É preciso base, grupo, capilaridade e, acima de tudo, capacidade de diálogo. Liderança de verdade se mede não pelo número de curtidas nas redes sociais, mas pela habilidade de unir forças distintas em torno de um propósito comum.
Um exemplo emblemático é o segmento evangélico. Com presença forte no DF, poderia ter protagonizado com mais força nas últimas eleições. No entanto, a falta de união e a ausência de uma liderança agregadora inviabilizaram nomes com potencial eleitoral. Agora, há uma tentativa de correção de rumo: lideranças se articulam para lançar um único nome competitivo ao Senado ou até mesmo ao Palácio do Buriti.
Celina, atual vice-governadora, representa um caso interessante: tem grupo, tem base, tem trânsito político. Se souber se posicionar com humildade e visão estratégica, pode ser uma das peças centrais no jogo. Mas também terá o desafio de mostrar personalidade própria sem romper com o legado do atual governo Ibaneis, a quem sucederá no cargo a partir de abril de 2026, por força da legislação eleitoral.
Na esquerda, o esforço para costurar uma frente programática — que reúne PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, PV, Rede e Cidadania — também exige liderança. Não bastam reuniões ou discursos afinados. É preciso ter alguém que represente todos e seja reconhecido como líder do grupo. A escolha, se for apenas por imposição partidária ou preferências ideológicas, tende a reproduzir os mesmos erros do passado. Só com generosidade política e espírito agregador será possível apresentar um nome forte.
A direita e o centro também não estão imunes ao dilema. Há especulações sobre nomes “outsiders” — que surfam no discurso da renovação e da antipolítica — e sobre figuras tradicionais que tentam se reinventar com roupagens novas. Mas o sucesso desses projetos dependerá menos do marketing e mais da capacidade de costurar apoios amplos.
O contexto atual é desafiador. As redes sociais e a inteligência artificial mudaram a lógica da política. Não basta mais apenas dominar palanques; é preciso compreender dados, tendências e o novo comportamento do eleitor. Figuras antes descartadas podem ressurgir com força. Outras, que pareciam imbatíveis, podem desidratar rapidamente.
Por isso, mais do que nunca, o DF precisa de líderes que saibam liderar. Não basta reunir meia dúzia de fiéis escudeiros e se lançar candidato. É preciso espírito público, capacidade de escuta, habilidade para dialogar com diferentes correntes e, principalmente, a humildade de entender que política não se faz sozinho.
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*Delmo Menezes é jornalista, gestor público, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais.





