No confronto direto de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a distância de três pontos percentuais configura um empate técnico no limite da margem de erro.
Por Delmo Menezes
Uma análise detalhada da nova rodada da pesquisa Nexus/BTG, divulgada nesta segunda-feira (13), revela um cenário de consolidação e resiliência das forças políticas no Brasil. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém um piso eleitoral sólido de 47% a 49% em todas as simulações de segundo turno, mas encontra um teto rígido quando confrontado com o principal nome da oposição testado: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Os novos dados sobre a sucessão presidencial revelam um cenário de forte consolidação das duas principais forças políticas do país, tanto no primeiro quanto no segundo turno. O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e o senador Flávio Bolsonaro centralizam a preferência do eleitorado, mantendo a polarização em patamares elevados.
No primeiro turno, a principal novidade fica por conta de um leve estreitamento da distância entre os dois primeiros colocados, motivado por uma oscilação na liderança. Já as simulações de segundo turno apontam que, embora o atual mandatário lidere todos os cenários testados, ele enfrenta um cenário de rigoroso empate técnico no confronto direto contra o candidato do PL.
Primeiro turno: Polarização e estabilidade na base
O cenário estimulado principal para o primeiro turno mostra que Lula e Flávio Bolsonaro somam, juntos, a ampla maioria das intenções de voto. Fora desse eixo, os candidatos de terceira via e opções alternativas seguem pulverizados na faixa de um dígito, encontrando dificuldades para furar o bloqueio dos líderes.
Abaixo, a configuração completa das intenções de voto para o primeiro turno, incluindo as modalidades estimulada (com apresentação de nomes) e espontânea (sem sugestão de nomes):
| Pré-candidato / Opção | Intenção de Voto (Estimulada) | Intenção de Voto (Espontânea) | Desempenho no Cenário |
| Lula (PT) | 40% | 35% | Liderança da disputa |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 34% | 24% | Vice-liderança isolada |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 5% | 3% | Lidera o bloco alternativo |
| Romeu Zema (Novo) | 4% | 2% | Empate no bloco alternativo |
| Renan Santos (Missão) | 4% | 2% | Empate no bloco alternativo |
| Joaquim Barbosa (DC) | 2% | Outros nomes | Baixa pontuação |
| Augusto Cury (Avante) | 2% | Outros nomes | Baixa pontuação |
| Aécio Neves (PSDB) | 1% | Outros nomes | Margem mínima |
| Cabo Daciolo (Mobiliza) | 0% | Outros nomes | Não pontuou |
| Brancos / Nulos / Nenhum | 6% | 4% | Voto convicto de rejeição |
| Não sabe / Não respondeu | 3% | 22% | Indecisão residual |
Segundo turno: O teto das candidaturas e o empate técnico
As simulações de segundo turno mostram uma dinâmica distinta para cada tipo de oponente. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, a distância de três pontos percentuais configura um empate técnico no limite da margem de erro. Em relação ao período anterior de monitoramento, ambos os candidatos mantiveram rigorosamente os mesmos percentuais (47% a 44%), evidenciando uma base eleitoral altamente cristalizada.
Por outro lado, quando o atual presidente enfrenta nomes da direita moderada ou de fora do núcleo tradicional de oposição, a taxa de eleitores que migram para brancos, nulos ou que se declaram indecisos cresce significativamente, o que alarga a vantagem numérica do atual mandatário.
A tabela a seguir apresenta os quatro cenários testados para a decisão definitiva:
| Cenário de Confronto Direto | Lula | Adversário | Brancos / Nulos / Nenhum | Não Sabe / Não Respondeu | Situação de Momento |
| Cenário 1 | 47% | 44% (Flávio Bolsonaro) | 8% | 1% | Empate Técnico |
| Cenário 2 | 47% | 40% (Romeu Zema) | 11% | 2% | Vantagem de Lula |
| Cenário 3 | 47% | 38% (Ronaldo Caiado) | 13% | 2% | Vantagem de Lula |
| Cenário 4 | 49% | 35% (Renan Santos) | 14% | 2% | Vantagem de Lula |
Nível de convicção e fidelidade do eleitor
Um dado qualitativo relevante do levantamento aponta que 70% dos eleitores que declararam voto no primeiro turno afirmam que a decisão já é definitiva e não mudará até o dia da eleição. Esse índice, contudo, registrou uma sutil oscilação para baixo em relação ao fechamento de junho, quando a certeza do voto atingia 74%. Paralelamente, o percentual daqueles que admitem a possibilidade de mudar de escolha subiu para 29%.
A fidelidade partidária e ideológica continua operando de maneira mais forte nas pontas: a convicção de voto definitivo alcança 87% entre os eleitores lulistas e 77% entre o eleitorado bolsonarista, consolidando o núcleo duro de ambas as campanhas.
Aspectos técnicos do levantamento
- Universo de entrevistados: 2.003 eleitores consultados por meio de entrevistas telefônicas em âmbito nacional.
- Período de coleta: Realizada entre os dias 10 e 12 de julho.
- Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
- Intervalo de confiança: 95%.
- Registro oficial: Documento protocolado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a identificação BR-07981/2026.
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Da Redação do Agenda Capital







