A expectativa é de que a sabatina seja extensa, seguindo o padrão recente. Indicações anteriores de Lula ao STF, como Zanin e Dino, ultrapassaram sete e até dez horas.
Por Delmo Menezes
Após mais de cinco meses desde sua indicação, o advogado-geral da União, Jorge Messias, enfrenta nesta quarta-feira (29) um dos momentos mais decisivos de sua carreira: a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Supremo Tribunal Federal (STF), Messias precisa conquistar apoio suficiente para garantir sua nomeação à Corte.
A indicação, feita em 20 de novembro do ano passado, só foi formalizada em abril deste ano, em meio a desgastes políticos entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Agora, o governo aposta na aprovação ainda hoje, com votação tanto na CCJ quanto no plenário do Senado.
Votos e expectativas
Para avançar, Messias precisa de ao menos 14 votos na CCJ e 41 no plenário. A base governista calcula entre 48 e 52 votos favoráveis, demonstrando otimismo quanto à confirmação. Já a oposição afirma ter cerca de 30 votos contrários, o que indica uma disputa potencialmente acirrada.
O relator da indicação, o senador Weverton Rocha, prevê uma sabatina rigorosa, mas acredita na aprovação. Na mesma linha, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, afirma haver apoio suficiente, projetando um placar de 16 votos a 10 na comissão.
Ruídos políticos e resistência
O processo de indicação foi marcado por tensões, especialmente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A demora de Lula em formalizar a indicação e a escolha de Messias — em vez de nomes esperados como Rodrigo Pacheco — geraram insatisfação nos bastidores.
Essa resistência dificultou a articulação inicial do governo, atrasando o processo e aumentando a incerteza quanto à aprovação. Apesar disso, interlocutores afirmam que o clima se estabilizou nas últimas semanas.
Apoios e articulação no STF
Dentro do próprio Supremo, o cenário também é dividido. Ministros como André Mendonça, Gilmar Mendes, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin atuaram para viabilizar apoio ao nome de Messias.
Por outro lado, Flávio Dino e Alexandre de Moraes não se mobilizaram a favor da indicação, refletindo divisões internas na Corte.
Ainda assim, um dos principais entraves continua sendo Alcolumbre, que até a véspera da sabatina não havia se reunido formalmente com o indicado.
Sabatina deve ser longa e estratégica
A expectativa é de que a sabatina seja extensa, seguindo o padrão recente. Indicações anteriores de Lula ao STF, como Zanin e Dino, ultrapassaram sete e até dez horas de questionamentos.
Messias deve adotar uma postura conciliadora, buscando demonstrar preparo técnico e capacidade de diálogo entre os Poderes. Um dos trunfos do governo é sua ligação com o meio evangélico, já que o AGU é ligado à Igreja Batista — fator considerado estratégico também para o cenário político futuro.
Risco de rejeição inédita
Apesar do otimismo do governo, há apreensão. Desde 1894, nenhum indicado ao STF foi rejeitado pelo Senado — e uma eventual reprovação de Messias representaria um marco histórico e um possível agravamento na relação entre Executivo e Legislativo.
Nos bastidores do STF, cresce a avaliação de que, caso aprovado, o nome de Messias deve passar com margem apertada, refletindo o ambiente político ainda sensível em torno de sua indicação.
A votação desta quarta-feira, portanto, não define apenas o futuro de um ministro, mas pode redesenhar o equilíbrio entre os Poderes em Brasília.
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Da Redação do Agenda Capital





