
Destituição foi aprovada por 44 votos em meio à crise financeira envolvendo o Ueno Bank. Pedro Alliana assumirá o comando do país até 2028
Por Delmo Menezes
O Senado do Paraguai aprovou por unanimidade, nesta sexta-feira (6), o impeachment do presidente Santiago Peña, em meio à grave crise política e financeira desencadeada pelo colapso do Ueno Bank. A decisão recebeu 44 votos favoráveis e determinou o afastamento imediato do chefe do Executivo paraguaio.
Com a destituição, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência da República e concluir o mandato até 2028.
A votação ocorreu um dia depois de Peña anunciar sua renúncia ao cargo, na quinta-feira (5). Em comunicado divulgado pouco antes da decisão do Senado, o presidente afirmou que tomou a iniciativa para evitar o agravamento da crise e preservar a estabilidade institucional do país.
“Apresentei minha renúncia para evitar maiores danos ao país e ajudar a restabelecer a tranquilidade no Paraguai. Não quero que minha presença cause mais divisão ou instabilidade. Minha responsabilidade é colocar o país acima do meu futuro pessoal”, declarou.
Apesar do anúncio de renúncia, o processo de impeachment foi levado à votação e aprovado por todas as bancadas, alcançando o número necessário de votos para a destituição.
Crise do Ueno Bank provocou desgaste político
A crise que levou à queda de Peña está relacionada à intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentava problemas de solvência. A situação deixou milhões de clientes sem acesso ao dinheiro e provocou protestos no país.
O episódio ganhou dimensão política porque Peña manteve vínculos com o grupo empresarial relacionado ao banco, do qual foi acionista até 2025.
Parlamentares questionaram a fiscalização da instituição financeira, a condução da intervenção e a destinação de recursos públicos que estavam depositados no banco. As acusações ampliaram a pressão sobre o governo e levaram o Congresso a responsabilizar o presidente por mau desempenho de suas funções, hipótese prevista na Constituição paraguaia para a destituição de um chefe de Estado.
Além do afastamento presidencial, o Congresso decidiu encaminhar a documentação do processo à Procuradoria-Geral do Estado, para avaliação de possíveis medidas na esfera criminal.
Peña não compareceu à sessão
Santiago Peña não participou da sessão que confirmou seu impeachment. Sua defesa ficou sob responsabilidade dos advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro.
Nas redes sociais, o agora ex-presidente publicou uma mensagem de despedida, na qual reconheceu a angústia dos clientes e aposentados atingidos pela crise financeira e defendeu a reconstrução da confiança nas instituições paraguaias.
“Hoje, devemos nos unir, como paraguaios, para reconstruir nossas instituições e restaurar a confiança”, escreveu.
Peña também afirmou que deixa o cargo sem ignorar o sofrimento das pessoas afetadas pela crise e pediu união nacional para enfrentar os problemas do país.
“Despeço-me com gratidão, sem ignorar a angústia daqueles que, neste momento, aguardam por respostas”, declarou.
Pedro Alliana assume até 2028
Com a saída de Santiago Peña, Pedro Alliana, que ocupava a Vice-Presidência, assume o comando do Paraguai para completar o atual período presidencial, que termina em 2028.
A mudança ocorre em um momento de forte instabilidade política e econômica, com pressão por respostas aos clientes prejudicados pelo Ueno Bank e pela recuperação da confiança no sistema financeiro e nas instituições públicas do país.
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Da Redação do Agenda Capital






