
Símbolo da fé e da história, a igreja de Maastricht segue imponente após séculos
Por Delmo Menezes
A histórica Sint Janskerk, conhecida como Igreja de São João, é um dos monumentos mais emblemáticos da charmosa cidade de Maastricht, no sul da Holanda, perto da fronteira com a Alemanha e a Bélgica. Localizada na famosa praça Vrijthof, coração cultural e turístico da cidade, a igreja atravessou séculos resistindo ao tempo, tempestades, conflitos religiosos e guerras que marcaram a história europeia.

Facilmente reconhecida pela sua imponente torre vermelha de 80 metros de altura, a igreja teve sua primeira menção histórica registrada em 1288. Construída inicialmente como igreja batismal ligada ao Capítulo de São Servácio, o edifício tornou-se uma referência arquitetônica e espiritual da região de Limburg, sul da Holanda.

A estrutura original sofreu um duro golpe em 1366, quando sua torre desabou após uma forte tempestade. Posteriormente reconstruída, a igreja ganhou no século XV a elegante lanterna octogonal que permanece até hoje como uma de suas marcas registradas. Curiosamente, a cor vermelha da torre não é moderna: trata-se da coloração original preservada ao longo dos séculos.

Construída com blocos de marga sobre uma base de pedra de Namur, a nave principal remonta ao século XIV, enquanto o coro hexagonal foi ampliado e elevado durante o século XV, período de grande desenvolvimento arquitetônico na cidade.
Desde 1634, a igreja passou a ser utilizada pela comunidade protestante, após Maastricht ser retomada do domínio espanhol católico pelos holandeses liderados por Frederico Henrique de Orange. Nesse contexto histórico destacou-se a figura do pastor Philippus Ludovicus, considerado o primeiro pregador da igreja após a conquista holandesa.

Nascido em Tirschenreuth, em 1592, Philippus Ludovicus dedicou grande parte de sua vida à propagação do calvinismo em Maastricht, cidade que à época possuía forte tradição católica. Ele foi o primeiro pregador da igreja. Os registros históricos o descrevem como um líder fervoroso e dominante, profundamente comprometido com aquilo que considerava sua missão espiritual. Ele permaneceu atuando na cidade até sua morte, em 1667, sendo posteriormente sepultado no próprio templo.

Durante nossa visita no mês de maio de 2026, tivemos a oportunidade de subir os 80 metros de altura da famosa torre vermelha da igreja. Para realizar o percurso completo de subida e descida, os visitantes pagam uma taxa de 10 euros. O esforço é recompensado com uma vista simplesmente deslumbrante. Do alto da torre, é possível contemplar uma imagem privilegiada da bela cidade de Maastricht, com seus telhados históricos, ruas antigas e o charme singular do sul da Holanda.

A igreja foi mencionada pela primeira vez em 1288. Ela foi construída como uma igreja batismal, ligada ao Capítulo de São Servácio. A torre original desabou em 1366 após uma forte tempestade. Desde 1634, a igreja é utilizada pela Comunidade Protestante. Foto: Delmo Menezes / Agenda Capital.
Atualmente, além de sua função religiosa, a igreja desempenha importante papel cultural e social em Maastricht. O espaço é frequentemente utilizado para apresentações musicais, concertos de corais e orquestras, palestras, conferências acadêmicas, feiras e eventos organizados pela Universidade de Maastricht.

O edifício também recebe casamentos, cerimônias de premiação, exposições, debates, encontros solenes e até funerais, religiosos ou não. No entanto, a direção da igreja ressalta que todas as atividades devem respeitar a finalidade principal do local.
Os cultos da Congregação Protestante Maas-Heuvelland continuam sendo realizados todos os domingos pela manhã, preservando uma tradição religiosa que atravessa quase quatro séculos.
Mais do que um monumento arquitetônico, a Sint Janskerk simboliza a resistência histórica e espiritual de Maastricht, cidade que carrega em suas ruas e construções as marcas profundas das disputas religiosas e políticas que moldaram a Europa ao longo dos séculos.
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Da Redação do Agenda Capital





