TV Cultura pune candidato do PSDB com expulsão e ex-coach abandona o evento; demais candidatos seguem em confronto. Agressão aconteceu durante o debate da TV Cultura, na noite deste domingo (15). Datena foi expulso do encontro, enquanto Marçal foi levado para o hospital. Boletim médico ainda não foi divulgado.
Por Redação
O debate da TV Cultura com candidatos à Prefeitura de São Paulo realizado neste domingo, 15, às 22h, tinha regras rígidas para evitar ataques em insultos. Apesar de o encontro iniciar com discussão sobre problemas da cidade, o embate direto levou às primeiras acusações entre candidatos. O clima de tensão chegou ao ápice quando, após ser insultado por Pablo Marçal, o candidato do PSDB José Luiz Datena partiu para cima do adversário e o agrediu com uma cadeira.
O encontro, organizado pela TV Cultura, foi temporariamente interrompido após o incidente.
Marçal foi levado para o Hospital Sírio-Libanês e, segundo a equipe dele, sofreu uma fratura na costela. O hospital, entretanto, ainda não divulgou boletim médico.
“A gente quer saber que horas você vai parar. Já abandonou entrevista chorando. Você, que é um cara que só fala quando tem uma televisãozinha escrevendo ali, que horas o Datena vai parar com essa palhaçada que ele tá fazendo aqui?”, disse.
Datena disse que Marçal estava fazendo acusações e calúnias contra ele. O apresentador chamou Marçal de “bandidinho”.
“A acusação que você fez sobre mim eu já, repito, não foi investigada porque não havia provas. Foi arquivada pelo Ministério Público”, disse. “O que você fez comigo hoje foi terrível. Espero que Deus lhe perdoe. Você me pediu perdão anteontem. Eu te perdoei.”
Na réplica, Marçal disse que Datena não sabia o que estava fazendo no debate e o chamou de “arregão”. Ele disse que Datena queria agredi-lo no debate da TV Gazeta, em 8 de setembro.
“Você não respondeu à pergunta. A gente quer saber. Você é um arregão. Você atravessou o debate esses dias para me dar tapa e falou que você queria ter feito. Você não é homem nem para fazer isso. Você não é homem,” afirmou Marçal.
Na sequência, Datena agrediu Pablo Marçal com uma cadeira. O programa foi interrompido.
Datena expulso
Ao voltar ao ar, o moderador do debate, Leão Serva, anunciou que Datena havia sido expulso do encontro por causa da agressão física.
Leão Serva afirmou que Marçal abandonou o debate para buscar atendimento de saúde, já que não estava se sentindo bem. Ainda segundo o moderador, o candidato também receberia uma advertência da organização por ter agredido verbalmente Datena.
O programa continuou com a presença dos demais candidatos. Em nota, a TV Cultura lamentou o ocorrido.

Nota da TV Cultura
“A TV Cultura lamenta o episódio ocorrido durante o Debate com candidatos à Prefeitura de São Paulo, neste domingo (15/9), envolvendo os candidatos José Luiz Datena (PSDB) e Pablo Marçal (PRTB).
A emissora reitera que, após a agressão, todas as providências foram tomadas, de acordo com as regras estabelecidas previamente – por escrito, entre a Cultura e as campanhas de todos os candidatos presentes -, incluindo a expulsão do candidato José Luiz Datena. Além disso, o Debate foi mantido mediante consulta e concordância dos demais candidatos.
Durante o ocorrido, todas as medidas, incluindo relacionadas à cobertura da imprensa, foram tomadas visando à segurança dos presentes no Teatro B32 e em consonância às regras deliberadas anteriormente.”
Marçal no hospital
A equipe de Pablo Marçal afirmou que o candidato foi encaminhado para o Hospital Sírio-Libanês. Ele fraturou uma costela e deve passar a madrugada desta segunda-feira (16) em observação.
O hospital ainda não divulgou boletim médico com detalhes sobre o estado de saúde do candidato.
A equipe informou ainda que Marçal foi medicado e passou por exames, incluindo uma tomografia. Além disso, um advogado do candidato foi até a Polícia Civil registrar um boletim de ocorrência contra Datena.
A agenda de campanha para esta segunda-feira foi cancelada.
O que diz Datena
Datena comentou sobre o caso na saída do debate e afirmou que “perdeu a cabeça” ao lembrar da morte da sogra por AVCs depois de uma denúncia de suposto assédio sexual contra ele.
“Eu não escolho momento da emoção. Eu sou um cara de verdade. Eu lembrei da minha sogra morrendo ali nos braços da minha mulher e depois de passar por tudo aquilo que eu passei e trabalhando todo dia na televisão me defendendo no foro adequado, com processo arquivado no foro adequado, foram os piores momentos que passei da minha vida”, disse.
Na volta do intervalo, o apresentador do programa, jornalista Leão Serva, anunciou que por conta da agressão, de acordo com as regras pré-estabelecidas, Datena foi expulso do programa. Alegando não estar passando bem, Marçal abandonou o programa. Os demais candidatos seguiram no programa.
Leão Serva classificou a agressão de Datena a Pablo Marçal como “um dos eventos mais absurdos da história da televisão brasileira”. “Houve uma agressão do candidato Datena ao candidato Marçal porque o candidato Marçal agrediu o candidato Datena verbalmente. A decisão da televisão foi expulsar o candidato Datena do debate, conforme estava previsto no regulamento assinado e aceito por todos porque ele cometeu três falhas graves sucessivas: cometeu duas palavras de baixo calão antes de uma agressão física e de sair de seu lugar”, afirmou Leão.
Antes da agressão, Datena desabafou sobre uma pergunta de Marçal, feita no início do debate, que relembrou uma denúncia de assédio sexual contra o apresentador. “A acusação que você fez sobre mim eu repito: não foi investigada porque não havia provas, foi arquivada pelo Ministério Público, chegou a provocar a morte da minha sogra por calúnia e difamação depois de três AVCs”, afirmou o tucano, acrescentando que a acusação “custou muito” à sua família. “O que você fez comigo hoje foi terrível, espero que Deus lhe perdoe.” Marçal retrucou chamando o adversário de “arregão”.
Após deixar o local do debate, Datena se disse arrependido: “A partir do momento em que eu me senti agredido [pelo Marçal], eu vi a figura da minha sogra, que morreu por causa disso [acusação de assédio sexual]. Infelizmente, eu perdi a cabeça. Não devia ter perdido? Acredito que não. Devia ter simplesmente saído do debate e ido embora para a casa que era muito melhor”.
As campanhas esperavam que as regras com ameaça de expulsão em caso reiterado de agressão demovessem os candidatos de entrar na baixaria. Os seis mais votados estão presentes no confronto: Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB), Marina Helena (Novo), Pablo Marçal (PRTB), Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB), em ordem alfabética.
A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na quinta-feira, 12, mostra o prefeito de São Paulo e candidato à reeleição, Ricardo Nunes, tecnicamente empatado com o deputado Guilherme Boulos. O emedebista, no entanto, está numericamente à frente, com 27% das intenções de voto, contra 25% de Boulos. A margem de erro é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. Em seguida, aparecem Marçal (19%), Tabata (8%), Datena (6%) e Marina (3%).
Tabata Amaral lamentou o episódio. “É de dar muita vergonha, é de revoltar a postura dos homens nesse debate. A baixaria, a agressividade e o desrespeito a quem nos acompanha”, afirmou a candidata. Marina Helena afirmou que o debate deste domingo tem “cenas deprimentes”. “É muito importante a gente procurar pessoas que tenham maturidade para cuidar da nossa cidade. Isso aqui é inaceitável.”
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Com G1/Estadão





