
Ministro da Saúde Alexandre Padilha recomenda evitar bebidas com “tampa de rosca” após casos de metanol em bebidas destiladas.
Por Delmo Menezes
O Brasil está em alerta devido ao aumento de casos de intoxicação por metanol supostamente ligado à falsificação de bebidas alcoólicas destiladas. Segundo dados divulgados neste sábado (4) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o País contabiliza 127 casos suspeitos da substância tóxica, espalhados por 12 estados, sendo 11 deles já confirmados.
A situação, embora classificada pelo ministro como um momento de “atenção e não de pânico”, motivou uma série de recomendações e ações urgentes do governo para conter a proliferação do metanol no mercado de consumo e garantir o tratamento adequado aos pacientes.
Recomendação de evitar destilados com “tampa de rosca”
A principal orientação do Ministério da Saúde é clara: a população deve evitar o consumo de bebidas destiladas, especialmente aquelas vendidas em garrafas fechadas com roscas. O ministro Padilha ressaltou que, até o momento, não foram identificados casos de adulteração em bebidas vendidas em latas ou garrafas com tampas metálicas (tipo flip-top).
“É um produto de lazer, não faz parte da cesta básica, de necessidade. Então evite risco no seu momento de lazer”, reforçou Padilha, incentivando a suspensão temporária do consumo para evitar exposições desnecessárias.
Metanol na falsificação
O metanol (álcool metílico) é uma substância utilizada como matéria-prima para combustíveis e solventes, sendo impróprio para consumo humano em qualquer concentração. No entanto, investigações apontam que ele estaria sendo utilizado na falsificação de destilados como gim, vodca e uísque.
O perigo reside na dificuldade de identificação:
- Em sua forma pura, o metanol tem sabor levemente adocicado e alcoólico, muito parecido com o etanol (álcool etílico, próprio para consumo).
- Em destilados com teor alcoólico de 30% a 40%, o metanol não é perceptível no sabor ou odor.
A ingestão, mesmo em pequenas quantidades, pode levar a sintomas graves, que, embora inicialmente possam ser confundidos com uma ressaca comum (náuseas e vômitos), manifestam-se de forma muito mais intensa e podem causar cegueira ou morte. Em caso de qualquer sintoma atípico após o consumo, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente.
Antídotos e notificação
Para enfrentar a crise, o Ministério da Saúde anunciou a aquisição e distribuição de antídotos essenciais para o tratamento de intoxicação por metanol.
- Etanol Farmacêutico: 609 farmácias de manipulação estão aptas a produzir o etanol farmacêutico, que é o antídoto de primeira linha, devendo ser usado com recomendação médica. Foram adquiridas 12 mil ampolas da substância para distribuição aos Centros de Referência de Toxicologia (CRT) do País.
- Fomepizol: O governo também adquiriu 2.500 tratamentos de fomepizol, um antídoto mais específico, por meio da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), com chegada prevista para os próximos dias.
Além disso, foi feita uma recomendação imediata aos profissionais de saúde da rede pública e privada para que façam a notificação imediata na primeira suspeita clínica de intoxicação. A notificação precoce é crucial para acionar o suporte técnico dos CRTs e, principalmente, rastrear a origem da bebida adulterada, auxiliando na resposta sanitária. O protocolo do Ministério da Saúde inclui checar a acidose metabólica, garantir hidratação, monitorar a função cardíaca e iniciar o uso do etanol farmacêutico.
Prisão de suspeito em São Paulo
As investigações sobre a origem da adulteração levaram à prisão de um homem em flagrante nesta sexta-feira (3) em São Paulo, suspeito de ser um dos principais fornecedores de insumos usados na falsificação. A polícia estima que o suspeito manipulava mais de 10 mil garrafas por mês de bebidas como gim, vodca e uísque, repassando os vasilhames para locais no interior do estado onde ocorreria o envasamento final.
Como se proteger contra bebidas adulteradas
O Ministério da Saúde e órgãos de fiscalização listam cuidados essenciais para o consumidor:
- Verificar a Origem: Certifique-se de que o lacre da embalagem esteja intacto.
- Atenção ao Preço: Desconfie de preços muito abaixo do valor de mercado e evite pontos de venda informais.
- Checar o Rótulo: Recuse embalagens com rótulo mal impresso, erros de grafia, ou ausência de dados obrigatórios, como CNPJ, lote ou data de validade.
- Características Suspeitas: Fique atento a odores estranhos, cores ou consistência incomuns na bebida. Não tente fazer testes caseiros como cheirar ou provar.
- Em Bares e Restaurantes: Se houver desconfiança, peça que a bebida seja servida na sua frente pelo garçom.
Apesar do crescimento no número de casos suspeitos, a mobilização das autoridades visa controlar a situação e evitar que o momento de lazer se transforme em uma emergência de saúde pública. A colaboração da população, evitando as bebidas de risco e notificando qualquer suspeita, é fundamental para frear a disseminação da substância tóxica.
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Da Redação do Agenda Capital







