Encontro aborda cuidados que evitam complicações durante a internação e apresenta avanços na reabilitação de pacientes da UTI adulta
Por Elza Neves
O Hospital Regional de Santa Maria (HRSM) sediou, nesta sexta-feira (6), o II Simpósio de Prevenção de Lesão por Pressão. O evento reuniu especialistas para debater a segurança do paciente, prevenção de feridas, cuidados paliativos e os avanços na reabilitação funcional dentro do ambiente hospitalar.
Administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), o hospital organizou o encontro por meio da Comissão de Prevenção e Cuidados com a Pele e Estomias (CPCPE), com o apoio do Núcleo de Educação Permanente (Nudep).
Avanços na reabilitação e alta funcional na UTI adulta
Um dos grandes destaques do simpósio foram os indicadores apresentados pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulta do HRSM, que demonstraram evolução expressiva na recuperação de pacientes internados:
- Capacidade de caminhar: O percentual de pacientes que receberam alta com capacidade de caminhar (com ou sem auxílio) subiu de 28% em 2025 para 56% em 2026. A meta da instituição é superar os 60%.
- Tempo para sair do leito: O tempo médio para que os pacientes conseguissem sair do leito caiu de sete dias (em 2024 e 2025) para três dias em 2026.
- Força muscular: Neste ano, 52% dos pacientes registraram força muscular normal ou com comprometimento leve no momento da alta, contra 22% observados nos dois anos anteriores.
- Evolução funcional: Das 367 avaliações realizadas, 90% indicaram melhora e 10% apontaram manutenção do quadro.
O fisioterapeuta da UTI adulta do HRSM, Matheus Gonçalves, destacou que a mobilização precoce ocorre de forma gradual e segura. “A mobilização pode começar com exercícios e mudanças de posicionamento ainda no leito, avançar para a posição sentada e, conforme a evolução clínica, incluir atividades em pé, transferências e caminhadas assistidas. Mais do que reduzir o tempo de permanência no leito, a proposta é ajudar o paciente a recuperar movimentos, independência e qualidade de vida”, explicou.
Prevenção e cultura de notificação
A prevenção de lesões por pressão — feridas causadas pela interrupção da circulação sanguínea em áreas pressionadas por longos períodos — foi apontada como prioridade para garantir a segurança de pacientes acamados ou em estado grave.
Aline Maciel, enfermeira do Núcleo da Qualidade e Segurança do Paciente do HRSM, ressaltou a necessidade da identificação precoce e da integração das equipes. “A prevenção começa com a identificação precoce, passa pela implementação de práticas seguras e depende do envolvimento de toda a equipe multiprofissional”, afirmou. Aline destacou ainda que o registro em prontuário e a notificação de eventos são fundamentais para o aprendizado e aprimoramento contínuo da assistência, sem caráter punitivo.
Durante o evento, também foram abordadas novas tecnologias para o tratamento de lesões, como o uso de coberturas antimicrobianas para o controle de microrganismos, escolhidas de acordo com o quadro individual de cada paciente.

Humanização e cuidados paliativos
O simpósio dedicou painéis aos cuidados paliativos e à atenção à pele em pacientes com feridas de difícil cicatrização. Nesses cenários, as ações focam no alívio de sintomas, na higiene adequada, na hidratação e no conforto.
O enfermeiro estomaterapeuta do HRSM e membro da CPCPE, Vitor Firmino, enfatizou o lado afetivo e humano do cuidado. “Os cuidados de higiene, hidratação e proteção da pele são essenciais para manter a dignidade humana. A pele não tem apenas uma função de proteção; ela também é afetiva, é por meio dela que sentimos e entramos em contato com o mundo. Quando conseguimos preservar esse cuidado, o paciente pode vivenciar o toque de maneira carinhosa, e não apenas como uma experiência de dor”, ressaltou.
A enfermeira estomaterapeuta Domitília Bonfim, do Hospital Regional do Guará (HRGu), abordou as diferenças entre lesões por pressão e alterações cutâneas típicas do fim da vida, como a úlcera terminal de Kennedy e a condição SCALE. Segundo a especialista, a diferenciação exige avaliação criteriosa do histórico clínico para evitar diagnósticos equivocados e para orientar adequadamente os familiares, reduzindo sentimentos de culpa ou insegurança.
Ao encerrarem as apresentações, os profissionais reforçaram que fortalecer a cultura de prevenção é uma medida essencial para preservar o bem-estar e a dignidade de cada paciente sob os cuidados da rede de saúde.
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Da Redação do Agenda Capital







