Coletiva do ministro Padilha no Ministério da Saúde dFoto: joão Risi / MS

Os R$ 183,5 milhões anunciados pelo MS serão direcionados para expandir o uso de tecnologias que visam reduzir a capacidade de transmissão do mosquito.

Por Redação

Apesar da queda de 75% nos casos de dengue em 2025 comparado a 2024, o Brasil mantém 30% dos municípios em situação de alerta. Para reforçar a prevenção, o Ministério da Saúde (MS) lançou a campanha “Não dê chance para dengue, zika e chikungunya” e liberou mais R$ 183,5 milhões para controle vetorial com alta tecnologia.

O combate ao Aedes aegypti continua sendo uma prioridade nacional. Nesta segunda-feira (3), a pasta lançou uma campanha nacional de prevenção das arboviroses e anunciou um investimento adicional de R$ 183,5 milhões para o ciclo 2025/2026. Este montante será destinado exclusivamente para ampliar o uso de novas tecnologias de controle vetorial no país.

Cenário epidemiológico e alerta nacional

Mesmo com uma redução significativa de 75% nos casos prováveis de dengue (1,6 milhão) e 72% nos óbitos (1,6 mil) em 2025, em comparação com o mesmo período de 2024, a situação exige cautela. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou:

“Mesmo com essa melhora, não podemos baixar a guarda. A dengue continua sendo a principal endemia do país, e o impacto das mudanças climáticas amplia o risco de transmissão em regiões onde antes o mosquito não existia.”

  • Municípios em Alerta: De acordo com o 3º Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre agosto e outubro, 30% dos 3.223 municípios avaliados estão em situação de alerta para dengue, chikungunya e Zika.
  • Concentração de Casos: São Paulo concentra a maior parte dos casos (55%) e óbitos (64,5%), seguido por Minas Gerais, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.
  • Maior Incidência Prevista: Os estados com previsão de maior incidência estão nas regiões Centro-Oeste, Nordeste e Norte, com destaque para Mato Grosso do Sul, Ceará e Tocantins.

Investimento em inovação e controle vetorial

Os R$ 183,5 milhões anunciados pelo MS serão direcionados para expandir o uso de tecnologias que visam reduzir a capacidade de transmissão do mosquito.

  • Método Wolbachia: A principal estratégia de inovação. Consiste na liberação de mosquitos infectados com a bactéria Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti, bloqueando a transmissão.
    • Expansão: O método, atualmente em 12 municípios, tem expansão planejada para mais 70 cidades, sendo 13 delas ainda em 2025.
    • Resultados Comprovados: Niterói (RJ), a primeira cidade com 100% do território coberto pela tecnologia, registrou redução de 89% nos casos de dengue e 60% na chikungunya.
    • Biofábrica: Foi inaugurada em Curitiba (PR) a maior biofábrica de Wolbachia do mundo, com capacidade para produzir 100 milhões de ovos por semana.
  • Outras Medidas: Também serão ampliadas o uso das Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDL), a técnica do inseto estéril e a borrifação residual intradomiciliar (aplicação de inseticida de longa duração dentro das casas).

Mobilização nacional e apoio do SUS

A campanha “Contra o mosquito, todos do mesmo lado” mobiliza gestores e a população, com ênfase na prevenção antes do período de maior transmissão.

  • Dia D da Dengue: Será realizado neste sábado, 8 de novembro, com ações de conscientização em todo o país.
  • Mapeamento: O MS divulgou o novo mapeamento entomológico, identificando áreas de alerta e risco em mais de 3 mil municípios.
  • Apoio do SUS: A Força Nacional do SUS (FN-SUS) tem apoiado a instalação de até 150 centros de hidratação em cidades de alta incidência. Além disso, foram distribuídos 2,3 milhões de sais de reidratação oral, 1,3 milhão de testes laboratoriais, 1,2 mil nebulizadores portáteis e 77,9 mil Estações Disseminadoras de Larvicidas.

💉 Vacinação e parceria internacional

O Brasil consolida o maior programa público de imunização contra a dengue do país.

  • Vacina Butantan: O Ministro da Saúde visitou a China para fortalecer a parceria com a WuXi Biologics, que permitirá a produção em larga escala da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A capacidade esperada é de 40 milhões ou mais de doses a partir de 2026. O registro da vacina 100% brasileira pela Anvisa é esperado até o fim de 2025.
  • Programa de Vacinação: Iniciada em 2024, a vacinação prioriza crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 2.752 municípios de maior risco. O Brasil foi pioneiro ao oferecer o imunizante no sistema público de saúde, com mais de 10,3 milhões de doses enviadas até outubro de 2025.

Responsabilidade é coletiva

O controle das arboviroses exige a participação ativa do governo e da sociedade civil. Além do trabalho dos agentes de saúde, o cidadão deve adotar medidas preventivas:

  • Eliminação de Criadouros: Remover recipientes que possam acumular água.
  • Vedação: Manter reservatórios e caixas d’água vedados.
  • Limpeza: Limpar calhas, lajes e ralos regularmente.
  • Proteção Individual: Usar telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão.
  • Apoio às Ações: Colaborar com os profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS).

O método wolbachia: uma estratégia natural no combate às arboviroses

O Método Wolbachia é uma das mais promissoras e inovadoras estratégias de controle vetorial adotadas pelo Ministério da Saúde, representando uma importante frente de combate ao Aedes aegypti, vetor da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela urbana.

A essência do método não está em matar o mosquito, mas sim em impedir que ele transmita as doenças.

A Wolbachia é uma bactéria intracelular encontrada naturalmente em cerca de 60% das espécies de insetos, como moscas-das-frutas, borboletas e libélulas.

Ausência no Aedes aegypti: No entanto, ela não é encontrada naturalmente no Aedes aegypti.

Mecanismo de Bloqueio: Quando a Wolbachia é introduzida no Aedes aegypti, ela impede que os vírus da dengue, Zika, chikungunya e febre amarela urbana se desenvolvam e se multipliquem dentro do mosquito. Um mosquito infectado com a bactéria é, portanto, incapaz de transmitir a doença para humanos.

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Da Redação do Agenda Capital

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