Lula e Maduro na rampa de entrada do Palácio do Planalto, em Bras´ília (DF). Foto: Ricardo Stuckert / PR 29052023_lula_maduro_ministros.jpeg Reunião ampliada entre as equipes dos presidente Lula e Nicolás Maduro no Palácio do Planalto. Foto: Ricardo Stuckert / PR.

Lula vai interromper a COP30 e deixará Belém rumo à Colômbia no sábado (8) para participar de reuniões da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)

Por Redação do Agenda Capital

O governo brasileiro elevou o tom diante das movimentações militares dos Estados Unidos próximas à Venezuela e da possibilidade de uma intervenção direcionada contra o regime de Nicolás Maduro. Em Belém, onde acompanha parte da programação da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu a agenda ambiental para se dedicar ao tema, enquanto seu principal conselheiro internacional, Celso Amorim, classificou a situação como “grave” e defendeu uma reação regional coordenada.

“Temos que defender a América do Sul”, afirma Amorim

Na noite de quinta-feira (6), em Belém, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, foi direto ao comentar a operação militar conduzida pelo governo Donald Trump no entorno da Venezuela. Segundo ele, o Brasil não pode tratar a questão como um debate distante.

“Nós temos que defender a América do Sul. Nós vivemos aqui. O Brasil tem fronteira com 10 países. Não estamos discutindo uma coisa distante por razões humanitárias ou geopolíticas. Estamos discutindo algo praticamente na nossa fronteira”, declarou.

A fala veio em meio à crescente tensão gerada pela presença de navios de guerra, caças e aeronaves de vigilância dos EUA no Caribe. Nos últimos meses, Washington realizou explosões de embarcações, operações navais e ações classificadas como combate ao narcotráfico — medidas que deixaram dezenas de mortos e ampliaram o temor de escalada.

Amorim reforçou que o Brasil adotará postura de “equilíbrio e defesa sul-americana”, evitando qualquer alinhamento que possa aprofundar o conflito.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversa o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Kuala Lumpur, na Malásia. Foto: Reprodução.

Lula oferece mediação e alerta Trump: “Não se resolve na bala”

O presidente Lula terá um papel mais direto na crise. Ele deixará Belém rumo à Colômbia no sábado (8) para participar de reuniões da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) com líderes europeus, com a crise venezuelana no centro da pauta.

Segundo apuração do Planalto, Lula já enviou alertas ao governo Trump e afirmou que a situação não será resolvida “na bala”. O petista sugeriu ainda a criação de uma mesa de mediação, na qual ele próprio atuaria como interlocutor junto a Maduro, seu aliado histórico.

O gesto irritou parte da comitiva norte-americana. Trump, inicialmente, recusou-se a discutir o assunto, mas Lula insistiu e entregou um documento por escrito ao republicano durante encontro na Malásia.

Washington aumenta pressão e considera três cenários contra Maduro

A operação dos EUA ocorre sob o argumento de combate ao narcotráfico. O governo Trump acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, classificado como organização terrorista, e oferece recompensa de US$ 50 milhões pela captura do líder venezuelano.

Segundo fontes do Pentágono, Trump recebeu três possíveis linhas de ação:

  1. Ataques aéreos contra instalações militares venezuelanas.
  2. Operações com forças especiais para capturar ou eliminar Maduro.
  3. Ação terrestre ampla, com domínio de aeroportos e campos de petróleo.

As duas últimas opções envolvem riscos significativos para civis e militares norte-americanos em solo, especialmente em Caracas.

O chanceler do Brasil, Mauro Vieira, conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, em Washington Foto: Embaixada do Brasil em Washington/Reprodução

Itamaraty alerta para impacto na fronteira e em acordos comerciais

A preocupação em Brasília não se limita ao risco militar. Integrantes do governo temem que a crise — que coloca Lula e Trump em posições opostas — contamine as negociações comerciais sobre o tarifaço, previstas para o encontro do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, no dia 11, no Canadá.

Apesar das divergências, o Itamaraty confirma que a reunião multilateral na Colômbia será “um momento de solidariedade à Venezuela”, nas palavras do próprio chanceler Vieira.

Análise: Brasil tenta equilibrar princípios e pragmatismo

Nos bastidores, o Planalto admite que a situação é delicada. O governo não deseja legitimar violações democráticas do regime Maduro, mas também não aceita qualquer intervenção militar que possa desestabilizar a região ou forçar o Brasil a lidar com novos fluxos migratórios, impacto humanitário e insegurança nas fronteiras.

A estratégia de Lula é clara: evitar o conflito, liderar a mediação e manter a autonomia diplomática brasileira, mesmo que isso signifique enfrentar pressões da Casa Branca.

Por ora, a postura de Amorim e Lula indica que o Brasil pretende assumir protagonismo na contenção da crise — e, se necessário, blindar politicamente a América do Sul contra uma intervenção externa.

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Da Redação do Agenda Capital

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