
Lula vai interromper a COP30 e deixará Belém rumo à Colômbia no sábado (8) para participar de reuniões da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)
Por Redação do Agenda Capital
O governo brasileiro elevou o tom diante das movimentações militares dos Estados Unidos próximas à Venezuela e da possibilidade de uma intervenção direcionada contra o regime de Nicolás Maduro. Em Belém, onde acompanha parte da programação da COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interrompeu a agenda ambiental para se dedicar ao tema, enquanto seu principal conselheiro internacional, Celso Amorim, classificou a situação como “grave” e defendeu uma reação regional coordenada.
“Temos que defender a América do Sul”, afirma Amorim
Na noite de quinta-feira (6), em Belém, o assessor especial da Presidência, Celso Amorim, foi direto ao comentar a operação militar conduzida pelo governo Donald Trump no entorno da Venezuela. Segundo ele, o Brasil não pode tratar a questão como um debate distante.
“Nós temos que defender a América do Sul. Nós vivemos aqui. O Brasil tem fronteira com 10 países. Não estamos discutindo uma coisa distante por razões humanitárias ou geopolíticas. Estamos discutindo algo praticamente na nossa fronteira”, declarou.
A fala veio em meio à crescente tensão gerada pela presença de navios de guerra, caças e aeronaves de vigilância dos EUA no Caribe. Nos últimos meses, Washington realizou explosões de embarcações, operações navais e ações classificadas como combate ao narcotráfico — medidas que deixaram dezenas de mortos e ampliaram o temor de escalada.
Amorim reforçou que o Brasil adotará postura de “equilíbrio e defesa sul-americana”, evitando qualquer alinhamento que possa aprofundar o conflito.

Lula oferece mediação e alerta Trump: “Não se resolve na bala”
O presidente Lula terá um papel mais direto na crise. Ele deixará Belém rumo à Colômbia no sábado (8) para participar de reuniões da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) com líderes europeus, com a crise venezuelana no centro da pauta.
Segundo apuração do Planalto, Lula já enviou alertas ao governo Trump e afirmou que a situação não será resolvida “na bala”. O petista sugeriu ainda a criação de uma mesa de mediação, na qual ele próprio atuaria como interlocutor junto a Maduro, seu aliado histórico.
O gesto irritou parte da comitiva norte-americana. Trump, inicialmente, recusou-se a discutir o assunto, mas Lula insistiu e entregou um documento por escrito ao republicano durante encontro na Malásia.
Washington aumenta pressão e considera três cenários contra Maduro
A operação dos EUA ocorre sob o argumento de combate ao narcotráfico. O governo Trump acusa Maduro de liderar o “Cartel de los Soles”, classificado como organização terrorista, e oferece recompensa de US$ 50 milhões pela captura do líder venezuelano.
Segundo fontes do Pentágono, Trump recebeu três possíveis linhas de ação:
- Ataques aéreos contra instalações militares venezuelanas.
- Operações com forças especiais para capturar ou eliminar Maduro.
- Ação terrestre ampla, com domínio de aeroportos e campos de petróleo.
As duas últimas opções envolvem riscos significativos para civis e militares norte-americanos em solo, especialmente em Caracas.

Itamaraty alerta para impacto na fronteira e em acordos comerciais
A preocupação em Brasília não se limita ao risco militar. Integrantes do governo temem que a crise — que coloca Lula e Trump em posições opostas — contamine as negociações comerciais sobre o tarifaço, previstas para o encontro do secretário de Estado americano, Marco Rubio, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, no dia 11, no Canadá.
Apesar das divergências, o Itamaraty confirma que a reunião multilateral na Colômbia será “um momento de solidariedade à Venezuela”, nas palavras do próprio chanceler Vieira.
Análise: Brasil tenta equilibrar princípios e pragmatismo
Nos bastidores, o Planalto admite que a situação é delicada. O governo não deseja legitimar violações democráticas do regime Maduro, mas também não aceita qualquer intervenção militar que possa desestabilizar a região ou forçar o Brasil a lidar com novos fluxos migratórios, impacto humanitário e insegurança nas fronteiras.
A estratégia de Lula é clara: evitar o conflito, liderar a mediação e manter a autonomia diplomática brasileira, mesmo que isso signifique enfrentar pressões da Casa Branca.
Por ora, a postura de Amorim e Lula indica que o Brasil pretende assumir protagonismo na contenção da crise — e, se necessário, blindar politicamente a América do Sul contra uma intervenção externa.
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Da Redação do Agenda Capital




