A dengue é transmitida por meio da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O ciclo de transmissão ocorre da seguinte forma: a fêmea do mosquito deposita seus ovos em recipientes com água. Ao saírem dos ovos, as larvas vivem na água por cerca de uma semana. Após este período, transformam-se em mosquitos adultos, prontos para picar as pessoas. Essa infecção ocorre quando o vírus da dengue circulante no sangue de uma pessoa é ingerido pela fêmea do mosquito.

Até 30 de outubro, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, uma redução de 75% em relação ao ano passado

Por Redação

Em uma grande mobilização nacional, o Ministério da Saúde promove neste sábado (8) o Dia D de combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, Zika e chikungunya. A iniciativa integra a nova campanha de prevenção do governo federal, intitulada “Não dê chance para dengue, Zika e chikungunya”, e envolve gestores locais, profissionais de saúde, agentes de combate às endemias, lideranças comunitárias e a própria população.

Mutirões de limpeza, ações educativas e inspeções em residências, comércios e espaços públicos ocorrem simultaneamente nos 5.570 municípios brasileiros, reforçando a importância da eliminação de criadouros antes do período de maior transmissão, que ocorre no primeiro semestre de cada ano.

Mobilização nacional para prevenir nova alta da doença

Atualmente, mais de 370 mil profissionais de saúde atuam diariamente no enfrentamento das arboviroses no país. Agentes Comunitários de Saúde (ACS) fazem visitas domiciliares, orientam moradores e distribuem material informativo, enquanto os Agentes de Combate às Endemias (ACE) realizam inspeções, aplicam larvicidas e monitoram dados que orientam o planejamento das ações de vigilância.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a antecipação das ações é fundamental para reduzir riscos futuros.
“Este é o momento de conscientizar e engajar a população e os municípios para identificar pontos críticos e eliminar criadouros”, afirmou. Padilha ressaltou ainda a importância das novas tecnologias, como a Wolbachia, no controle do vetor.

Números de 2025 mostram queda, mas alerta permanece

Até 30 de outubro, o Brasil registrou 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, uma redução de 75% em relação ao ano passado. Os óbitos chegaram a 1,6 mil, queda de 72% no comparativo com 2024. Os estados com maior número de casos são:

  • São Paulo – 890 mil
  • Minas Gerais – 159,3 mil
  • Paraná – 107,1 mil
  • Goiás – 96,4 mil
  • Rio Grande do Sul – 84,7 mil

Apesar da queda significativa, o Ministério da Saúde alerta: 30% dos municípios brasileiros estão em estado de atenção segundo o 3º LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti). Em mais de 3,2 mil cidades, mais de 80% das larvas foram encontradas em vasos de plantas, pneus, garrafas, caixas d’água, calhas e até cavidades naturais de árvores.

Investimento em novas tecnologias e ampliação do controle

Para o biênio 2025-2026, o governo federal prevê investir R$ 183,5 milhões em métodos inovadores de controle vetorial, entre eles:

  • Estratificação de risco
  • Método Wolbachia
  • Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs)
  • Mosquitos estéreis irradiados
Mosquitos com Wolbachia reduzem casos de dengue em Niterói. Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz – Flávio Carvalho/WMP Brasil/Fiocruz

A tecnologia Wolbachia, que impede o desenvolvimento dos vírus dentro do Aedes aegypti, já foi aplicada em 11 municípios e apresenta resultados expressivos:

  • 89% de redução da dengue,
  • 60% da chikungunya,
  • 37% da Zika, somente em Niterói (RJ).

A meta é expandir o método para 70 cidades até o fim de 2026, sendo 13 delas já em 2025.

Em julho, o Ministério inaugurou em Curitiba (PR) a maior biofábrica de Wolbachia do mundo, com capacidade de produzir 100 milhões de ovos por semana.

O governo também distribuiu 2,3 milhões de sais de reidratação oral, 1,3 milhão de testes laboratoriais e 1,2 mil nebulizadores portáteis. Apenas em 2025, foram instaladas 77,9 mil EDLs em 26 municípios.

Dia D contra a dengue mobiliza todo país. Foto: Edu Kapps/SMS – Edu Kapps/SMS

Pequenas atitudes que salvam vidas

A campanha nacional reforça práticas simples, mas essenciais, como:

  • Guardar garrafas e vasos virados para baixo
  • Colocar areia nos pratinhos das plantas
  • Manter caixas d’água bem tampadas
  • Amarrar adequadamente sacos de lixo
  • Limpar bandejas de ar-condicionado e geladeira
  • Não acumular sucata
  • Manter piscinas limpas
  • Evitar poças em lonas e coberturas
  • Receber agentes de saúde nas residências

A orientação em caso de sintomas — febre, dores no corpo, náuseas e manchas na pele — é procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde e evitar a automedicação.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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