fabricante anuncia que pílula em testes levou à perda de 13% do peso em apenas três meses. Foto: Reprodução.

Os resultados da pesquisa chamaram a atenção pela eficácia do comprimido, especialmente na dose mais elevada testada

Por Redação

Um estudo internacional publicado nesta quinta-feira (20/11) na revista The Lancet trouxe resultados animadores sobre o orforglipron, versão oral desenvolvida pelo mesmo fabricante do Ozempic. A pesquisa indica que o comprimido — que ativa o mesmo receptor GLP-1 responsável pelo controle da glicose e pela redução do apetite — é seguro e eficaz para pessoas com diabetes tipo 2, além de demonstrar importante efeito na perda de peso.

A expectativa é que o medicamento possa, no futuro, substituir as aplicações semanais de semaglutida, oferecendo uma alternativa mais prática para milhões de pacientes.

Estudo envolveu mais de 1,6 mil voluntários em 10 países

Ao todo, 1,6 mil adultos com sobrepeso ou obesidade e diagnóstico de diabetes tipo 2 participaram do estudo, conduzido em 136 centros de pesquisa distribuídos por 10 países. Os participantes — com idade média de 57 anos e peso médio de 101 kg — foram divididos em quatro grupos e receberam três diferentes doses do orforglipron ou placebo. Todos passaram por acompanhamento de cerca de 16 meses, com orientação para mudanças no estilo de vida.

Perda de peso significativa com a dose mais alta

Os resultados chamaram a atenção pela eficácia do comprimido, especialmente na dose mais elevada testada. Enquanto o grupo placebo perdeu, em média, 2,5% do peso corporal, os que tomaram:

  • 6 mg perderam 5,1%;
  • 12 mg registraram 7% de redução;
  • 36 mg alcançaram 9,6% de perda média — sendo que parte dos pacientes ultrapassou 15% do peso inicial.

Além da redução expressiva de peso, todos os grupos que receberam o medicamento apresentaram melhora relevante no controle glicêmico em comparação ao placebo.

Perfil de segurança semelhante ao dos injetáveis

Os efeitos colaterais relatados também seguem o padrão observado em outros medicamentos da classe GLP-1. Náuseas, vômitos, constipação e diarreia foram as queixas mais comuns, em sua maioria classificadas como leves a moderadas.

Para os pesquisadores, o perfil de segurança consistente reforça o potencial do orforglipron como terapia complementar — ou alternativa — aos tratamentos já consolidados.

Comprimido é mais prático e dispensa refrigeração

Um dos principais diferenciais da nova formulação é a praticidade. Enquanto a semaglutida injetável exige refrigeração e pode gerar desconforto aos pacientes, o orforglipron é absorvido pelo trato digestivo como um medicamento tradicional, sem necessidade de armazenamento especial.

Essa característica amplia o potencial de uso global, especialmente em países onde a infraestrutura de refrigeração é limitada.

Próximos passos e previsão de chegada ao mercado

Os autores do estudo ressaltam que ainda são necessárias pesquisas que comparem diretamente o comprimido com outros medicamentos aprovados para perda de peso. Mesmo assim, os resultados preliminares são considerados muito promissores.

A expectativa é que o orforglipron seja submetido à análise das agências regulatórias em 2026. A equipe responsável também aponta que o custo deve ser inferior ao das versões injetáveis, o que pode facilitar a cobertura por planos de saúde e ampliar o acesso ao tratamento.

Se confirmado, o novo comprimido poderá representar uma mudança importante no tratamento do diabetes tipo 2 e no combate à obesidade, oferecendo eficácia semelhante aos injetáveis com maior conveniência para o paciente.

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Da Redação do Agenda Capital

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