
“Na verdade, ele chegou a morrer. Ele foi ressuscitado após 12 minutos pela equipe aqui do hospital. A enfermeira abriu a porta e falou: ‘Ele voltou’. Quando ele voltou, a gente desabou a chorar, né?”, contou o pai.
Por Redação
O cenário de uma madrugada de janeiro em Águas Claras, no Distrito Federal, transformou-se em um drama que já dura 12 dias para uma família brasiliense. Um adolescente de 16 anos permanece em estado gravíssimo, em coma induzido e entubado, após ser agredido em uma briga que, segundo as investigações da Polícia Civil, teria sido motivada por algo fútil: um chiclete mascado.
Em entrevista exclusiva à TV Globo, o pai do jovem detalhou a luta pela vida do filho e a sequência de eventos que culminou em uma cirurgia de emergência e na prisão do agressor.
O Momento do ataque e o socorro
A confusão ocorreu na madrugada de 23 de janeiro. O piloto e empresário Pedro Turra, de 18 anos, teria jogado um chiclete na direção de uma pessoa, dando início ao desentendimento. Após a agressão, o adolescente conseguiu ligar para o pai enquanto era levado para casa por um amigo.
“Por volta de 1 da manhã, ele me ligou. Falou assim: ‘Pai, me bateram, eu estou bastante machucado. Estou indo para casa. Me espera aí’”, relembrou o pai.
Ao chegar, o jovem apresentava vômitos, sangramento nasal e dores intensas. No hospital, a situação escalou rapidamente para convulsões e uma parada cardíaca que durou 12 minutos. O jovem foi ressuscitado pela equipe médica em um momento de desespero para a família.
Procedimentos médicos críticos
Para salvar a vida do adolescente, os médicos diagnosticaram uma hemorragia entre o crânio e a dura-máter. Foi necessária uma intervenção cirúrgica drástica: a retirada de parte do osso do crânio para conter o edema cerebral e permitir que o cérebro se expandisse sem sofrer danos letais.
Apesar da gravidade, o pai relata o que considera um milagre: no terceiro dia de internação, ao reduzirem a sedação, o jovem respondeu a estímulos.
- O sinal: O adolescente mexeu os dedos após pedidos da família.
- A esperança: “Ele mexeu a mão. Foi o suficiente para a gente estar aqui conversando hoje”, disse o pai, emocionado.
Situação jurídica do agressor
Pedro Turra, que inicialmente havia sido solto após pagar fiança de R$ 24,3 mil, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça e foi encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda nesta segunda-feira (2). O piloto foi desligado da categoria escola Fórmula Delta.
As investigações revelaram um histórico preocupante:
- Turra já responde por outras quatro denúncias.
- Os registros incluem três agressões anteriores e uma tentativa de fornecer bebida alcoólica a uma menor.
- A defesa do piloto conseguiu que ele fosse mantido em uma cela isolada no Centro de Detenção Provisória (CDP), alegando riscos à sua integridade física.
A defesa da família da vítima criticou a transferência para cela especial, afirmando que a medida reforça uma “sensação de privilégio”. Enquanto o processo judicial avança, o pai do jovem mantém o foco na recuperação: “Vou ficar até ele sair em pé, andando, conversando”.
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Da Redação do Agenda Capital




