Daniel Vorcaro Foto: Reprodução

Em terceira oitiva, defesa alega falta de provas de prejuízo ao BRB e anuncia contestação na esfera cível.

Por Delmo Menezes

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou categoricamente a ocorrência de fraudes nas transações celebradas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O posicionamento foi formalizado durante depoimento prestado à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (15/10). Na mesma ocasião, os advogados formalizaram o pedido de revogação da prisão preventiva do investigado, sustentando a ausência de indícios de ilicitude após quase um ano de apurações.

Em nota oficial divulgada após as oitivas de Vorcaro e do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, a equipe jurídica sustentou que os negócios entre as duas instituições financeiras foram “absolutamente lícitos”, amparados por decisões técnicas e colegiadas, e que não causaram prejuízos ao BRB ou aos seus clientes.

A versão da investigação

As investigações da Polícia Federal apontam para um suposto esquema de transferência bilionária de recursos do BRB para o Banco Master, efetuado por meio da aquisição de carteiras de crédito. Conforme a apuração da corporação, o Master teria simulado a compra de créditos originados pela empresa Tirreno — instituição sem histórico financeiro compatível com o volume negociado — para posteriormente revendê-los ao BRB.

O objetivo das operações, segundo os investigadores, seria injetar liquidez no Banco Master durante um período de crise. O montante investigado chega a R$ 12,2 bilhões, divididos em uma operação principal de R$ 6,7 bilhões e um valor complementar de R$ 5,5 bilhões, repassados entre janeiro e maio de 2025.

Argumentos da defesa

A defesa de Vorcaro rebate as conclusões da PF e afirma que o investigado respondeu de forma colaborativa a todos os questionamentos em seu terceiro depoimento. Entre os principais pontos apresentados pelos advogados, destacam-se:

  • Ausência de fraude e prejuízo: A defesa afirma que o negócio envolvendo as carteiras da empresa Tirreno não foi concluído e que as trocas de ativos geraram resultados positivos para a instituição pública do Distrito Federal.
  • Perícia cível: Foi anunciada a apresentação de uma contestação na esfera cível com pedido de perícia técnica para demonstrar a regularidade dos valores negociados.
  • Origem do impacto institucional: Os advogados argumentam que o abalo de reputação sofrido pelo BRB decorre da própria deflagração da Operação Compliance Zero, a qual classificam como “açodada”.
  • Pedido de liberdade: Diante do que consideram falta de provas conclusivas após quase 12 meses de investigação, a defesa solicita o arquivamento do inquérito referente às operações entre os bancos e o relaxamento da prisão preventiva de Daniel Vorcaro.

O caso segue sob análise da Justiça e das autoridades responsáveis pelas apurações.

Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/

Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here