As sessões coletivas combinam exercícios aeróbicos, força e equilíbrio, promovendo ganhos físicos e também o fortalecimento do vínculo entre as participantes | Foto: Divulgação.

O movimento é um aliado poderoso. O corpo que superou o câncer encontra no exercício a força necessária para reconstruir o futuro.

Por Elza Neves

O fim das sessões de quimioterapia ou radioterapia não marca apenas o encerramento de um ciclo, mas o início de uma nova e fundamental jornada: a reabilitação. Para muitas mulheres, esse período de sobrevivência traz o desafio da hormonioterapia, um tratamento essencial para prevenir a reincidência da doença, mas que pode vir acompanhado de efeitos colaterais como fadiga extrema, dores articulares e perda de massa muscular.

Nesse cenário, a ciência tem apontado para um “remédio” acessível e de alta eficácia: a atividade física orientada. Um projeto inovador desenvolvido na Universidade Católica de Brasília (UCB), com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), está investigando justamente como os exercícios personalizados podem mitigar os impactos da hormonioterapia e devolver a qualidade de vida às pacientes.

Atividades aeróbicas integram o protocolo de exercícios do projeto | Foto: Divulgação

Os benefícios da prática orientada

A recuperação vai muito além da cura clínica; trata-se de recuperar a autonomia e o bem-estar emocional. A prática de exercícios durante e após o tratamento oncológico oferece benefícios estruturais:

  • Combate à Fadiga Oncológica: O exercício ajuda a regular o metabolismo, reduzindo o cansaço crônico que muitas vezes não passa com o repouso.
  • Saúde Óssea e Articular: A hormonioterapia pode acelerar a perda de densidade óssea. Exercícios de força (musculação) ajudam a fortalecer o esqueleto e proteger as articulações.
  • Controle Metabólico: Manter o peso sob controle e os níveis de insulina equilibrados é crucial, já que o excesso de gordura corporal pode elevar os níveis de estrogênio, fator de risco para alguns tipos de tumor.
  • Saúde Mental: A atividade física libera neurotransmissores como endorfina e dopamina, auxiliando no combate à depressão e ansiedade pós-tratamento.
ModalidadeFoco PrincipalBenefício na Recuperação
Treinamento de ForçaMúsculos e ossosPrevine a osteoporose induzida por remédios e melhora a postura.
Exercícios AeróbicosCoração e pulmõesMelhora a resistência física e ajuda no controle do peso.
Alongamento e MobilidadeAmplitude de movimentoEssencial para mulheres que passaram por mastectomia, ajudando na mobilidade do braço e ombro.

O papel da ciência brasiliense

O estudo realizado na UCB reforça a importância de políticas públicas e incentivo à pesquisa para o suporte oncológico. Ao investigar os mecanismos biológicos e psicológicos da atividade física em pacientes brasilienses, o projeto ajuda a criar protocolos mais seguros e eficazes que podem ser aplicados em centros de saúde e academias.

A mensagem para as mulheres em recuperação é clara: o movimento é um aliado poderoso. O corpo que superou o câncer encontra no exercício a força necessária para reconstruir o futuro.

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Da Redação do Agenda Capital

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