Os bastidores estão aquecidos, mas o eleitor atento, deverá observar não apenas nomes, mas propostas, coerência política e histórico de atuação pública
Por Delmo Menezes*
As eleições de 2026 ainda parecem distantes no calendário, mas o xadrez político do Distrito Federal já começou a se movimentar com força. A disputa por cadeiras no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e, principalmente, pelo comando do Governo do DF está longe de ser definida, mas os primeiros sinais revelam um embate de gigantes, com figuras conhecidas e algumas surpresas no horizonte.
Ibaneis no Senado ou voos mais altos?
O atual governador Ibaneis Rocha (MDB), que está em seu segundo mandato, aparece como um dos nomes mais cotados para disputar uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa no DF em 2026. Sua eventual candidatura à Câmara Alta seria uma jogada estratégica para manter protagonismo político nacional, garantindo palanque para uma possível volta ao Palácio do Buriti em 2030.
Porém, há quem aposte em um cenário ainda mais ambicioso: Ibaneis poderia ser alçado à vice-presidência da República em uma chapa com viés de centro ou centro-direita, aproveitando sua boa avaliação como gestor e o peso político que acumulou nos últimos anos.
Michelle Bolsonaro e o fator evangélico
Outra figura de peso que pode disputar o Senado é a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Com forte apelo entre os evangélicos — que representam cerca de 45% do eleitorado do DF — e capital eleitoral herdado do seu marido, o ex-presidente Bolsonaro, é considerada uma das favoritas, caso decida entrar na disputa. Há também a possibilidade de seu nome ser alçado à vice-presidência em uma chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa tentativa de a direita consolidar um projeto nacional.
Bia Kicis, Érika Kokay e a disputa polarizada
A atual deputada federal Bia Kicis (PL), campeã de votos em 2022, pode surpreender e disputar uma das vagas ao Senado, caso a direita consiga uma articulação sólida entre seus expoentes. No entanto, há indicações de que ela deverá buscar a reeleição à Câmara dos Deputados, a depender das costuras partidárias.
Na esquerda, a deputada federal Érika Kokay (PT) também surge como uma possibilidade para o Senado. Seu nome é forte no campo progressista, e uma eventual candidatura dependeria de uma frente unificada da esquerda, algo que ainda está em construção. Kokay, no entanto, já deixou claro que só entrará na disputa se houver viabilidade concreta.
O ex-senador Reguffe, o deputado federal Rafael Prudente (MDB), e a senadora Leila Barros (PDT) também são lembrados como possíveis concorrentes à vaga no Senado, cada um com seu capital político e trajetória própria, mas sem definições claras até o momento.
Celina Leão no páreo pelo GDF
A atual vice-governadora Celina Leão (PP) é a pré-candidata mais consolidada para o Governo do DF. Conhecida por sua presença constante em eventos públicos e articulação política, Celina assumirá o cargo de governadora em abril de 2026, com a desincompatibilização de Ibaneis. Seu desafio será mostrar que pode dar continuidade às políticas de sucesso da atual gestão, mas também imprimir sua marca pessoal.
Nos bastidores, fala-se na possibilidade de uma chapa encabeçada por Celina com o apoio do Republicanos, que já articula para indicar o vice-governador. O nome do deputado federal Fred Linhares é citado tanto para vice como para uma candidatura ao próprio GDF, sinalizando que o Republicanos quer protagonismo na disputa majoritária em 2026.
Evangélicos dividido: falta de liderança atrapalha o segmento
Apesar do grande número de eleitores evangélicos no DF (cerca de 45%), o segmento tem sofrido com a ausência de uma liderança que una suas diversas vertentes. Na última eleição, essa desarticulação resultou na exclusão de nomes importantes da disputa majoritária. Agora, o Republicanos tenta corrigir essa falha e poderá lançar candidatos ao Senado e/ou ao Buriti, buscando não apenas presença, mas protagonismo nas urnas.
A Câmara dos Deputados e os novos nomes
Na disputa proporcional, os primeiros movimentos indicam que a Câmara dos Deputados também sofrerá alterações importantes. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL), liderança expressiva na causa LGBTQIA+, deve disputar uma vaga federal, possivelmente em dobradinha com Érika Kokay. A esquerda aposta na renovação de seus quadros e na mobilização de pautas identitárias como trunfo para conquistar mais espaço.
Figuras emergentes e peças ocultas no tabuleiro
Outros nomes começam a ensaiar retornos ou reposicionamentos estratégicos. A ex-ministra Flávia Arruda (PL) voltou a aparecer com força nas redes sociais e eventos locais. A senadora Damares Alves (Republicanos), embora ainda sem definição sobre sua candidatura, continua sendo uma figura de destaque entre os conservadores. Já o senador Izalci Lucas (PSDB), embora mais discreto, mantém influência e articulações nos bastidores. Izalci deve ir para disputada majoritária.
Pela esquerda, um nome que desperta atenção é o de Ricardo Cappelli, ex-interventor da segurança pública do DF. Apoiadores do governo federal consideram sua candidatura ao GDF, mas sua baixa penetração popular pode ser um obstáculo. A performance do governo Lula até 2026 será decisivo para o sucesso de qualquer candidatura alinhada ao Planalto.
Cenário indefinido, mas altamente competitivo
O que se pode afirmar com certeza é que 2026 será uma eleição altamente disputada no Distrito Federal. Não há favoritos absolutos e a definição dos palanques dependerá de alianças, pesquisas e — principalmente — da conjuntura nacional. O desempenho do governo Lula, o humor do eleitorado brasiliense e a capacidade de articulação dos partidos serão determinantes para o sucesso de qualquer projeto político.
Por ora, os bastidores estão aquecidos, mas o eleitor — atento — deverá observar não apenas nomes, mas propostas, coerência e histórico de atuação pública. Afinal, em política, como ensina a sabedoria popular, eleição só se ganha nas urnas.
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*Delmo Menezes – Especialista em relações institucionais, gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e observador atento da política local e nacional, com experiência e participação política. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.





