Por Delmo Menezes*

A vida é feita de escolhas. Desde as mais simples, como o que comer no almoço, até as mais complexas, como mudar de profissão, terminar um relacionamento ou decidir o rumo político de um país. Em cada momento, consciente ou inconscientemente, por ação ou omissão, estamos escolhendo. E a soma dessas decisões define quem somos e onde estamos hoje — pessoal, profissional ou coletivamente, como sociedade.

“Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências”, afirmou o poeta chileno Pablo Neruda. A frase sintetiza com precisão o peso e a responsabilidade que envolvem o ato de decidir. Em um mundo repleto de possibilidades, o medo de errar paralisa muitas pessoas. E, paradoxalmente, a indecisão também é uma escolha — e com ela, vem um preço.

É comum errarmos no caminho. O escritor Célio Montagna nos lembra que “voltar e procurar o caminho certo é melhor do que continuar na direção errada”. Parece óbvio, mas quantas vezes insistimos em uma rota equivocada, apenas por orgulho, teimosia ou medo de recomeçar? O verdadeiro erro não está em escolher mal, mas em permanecer no erro sem disposição para mudar.

Agir por impulso, sem refletir sobre as consequências, é uma armadilha frequente. Não se trata de defender a procrastinação — adiar o que precisa ser feito também pode nos custar caro — mas sim de cultivar o hábito da ponderação. Pensar antes de agir, pesar os prós e contras, buscar conselhos, ouvir a experiência de outros. Em um tempo marcado pela pressa, escolher com calma é um ato de coragem e sabedoria.

O escritor português Gustavo Santos afirma: “Todos os dias somos convidados ou forçados a escolher. O poder da escolha é algo inerente e insubstituível ao formato da nossa vida. Não há um caminho sem escolhas e não há passos dados sem que escolhamos avançar.” Ou seja, o ato de escolher é o que movimenta a vida. Ficar parado, por medo ou omissão, é negar a si mesmo a chance de construir um futuro melhor.

E, quando o assunto é política, essa responsabilidade se amplia. O Brasil vive uma crise profunda — econômica, ética e institucional — que é reflexo direto das escolhas que fizemos nas urnas. Escolher representantes despreparados, desonestos ou desconectados das reais necessidades do povo cobra seu preço. Em tempos de eleições, mais do que nunca, é necessário pensar, refletir e votar com consciência.

Cada decisão errada tem consequências, mas também lições. Se aprendermos com os erros, podemos mudar o rumo da história. Escolher melhor não garante perfeição, mas é um passo essencial para evitar repetir os mesmos equívocos. O futuro do país, das nossas famílias e da nossa própria vida depende, em grande parte, das decisões que tomamos hoje.

Portanto, diante de cada encruzilhada, pare, pense, reflita. O poder da escolha está em suas mãos — e com ele, a oportunidade de transformar sua vida e o mundo ao seu redor.

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*Delmo Menezes – Gestor público, teólogo, secretário executivo, jornalista e especialista em relações institucionais. Observador atento da política local e nacional, com experiência e participação política.

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