Foto: Marcelo Camargo / Ag. Brasil.

Decisão do governo Trump atinge secretário do Ministério da Saúde e ex-funcionário ligado à OPAS; medida amplia tensão diplomática entre Washington e Brasília

Por Redação

Brasília — O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação dos vistos de duas autoridades brasileiras, alegando envolvimento com o programa Mais Médicos. A decisão atinge Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-funcionário do governo federal e atual coordenador para a COP-30 na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Rubio, chefe da diplomacia do governo Donald Trump, classificou o Mais Médicos como “um golpe diplomático inconcebível” e afirmou que a iniciativa teria servido de fachada para um “esquema de exportação de trabalho forçado” do regime cubano. A medida, segundo ele, também se estenderá a outros ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e integrantes do governo brasileiro que, em sua avaliação, tenham colaborado com o programa.

“Estamos revogando vistos e impondo restrições a funcionários cúmplices desse esquema. O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, escreveu Rubio em sua conta na rede social X. Antes de citar o Brasil, o secretário havia anunciado o endurecimento das regras para concessão de vistos a autoridades cubanas e a pessoas de outros países envolvidas com programas de envio de médicos ao exterior.

O Itamaraty informou que não comentará o caso. O Ministério da Saúde foi procurado, mas ainda não se manifestou.

Repercussões e possíveis novos alvos

Mozart Sales é a primeira autoridade do governo Lula a ser punida com a perda de visto pelos Estados Unidos. Integrantes do governo temem que a medida possa se estender a outros membros da administração federal, inclusive de alto escalão, em meio ao cenário de tensões políticas envolvendo investigações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e disputas diplomáticas com o governo Trump.

Até agora, as revogações de vistos por parte de Washington haviam atingido ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República e familiares. A decisão contra Sales e Kleiman amplia o alcance das sanções.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), em viagem a Washington, divulgou nota em apoio à medida. “As sanções contra financiadores da ditadura comunista cubana travestidos de programas governamentais reforçam o compromisso da administração Trump em punir regimes autoritários, como os de Cuba e os que Moraes e Lula tentam transformar o Brasil”, escreveu.

Mais Médicos: alvo de disputa política

Criado em 2013, no governo Dilma Rousseff, o Mais Médicos buscava suprir a carência de profissionais em áreas remotas e periferias. Parte significativa dos médicos veio de Cuba, por meio de acordo intermediado pela OPAS.

O programa enfrentou críticas durante o governo Jair Bolsonaro, que se opôs à presença de médicos cubanos e suspendeu o convênio com o país caribenho. Em 2018, Cuba anunciou oficialmente sua saída do projeto, retirando quase metade dos cerca de 18 mil médicos que atuavam na época.

Em 2023, o governo Lula retomou e ampliou a iniciativa. Atualmente, há cerca de 26 mil profissionais no Mais Médicos, dos quais 22 mil são brasileiros e 2.661 cubanos. Segundo o Ministério da Saúde, o programa não apenas aumenta o acesso ao atendimento, mas também humaniza a relação entre médico e paciente e melhora a qualidade do cuidado na atenção básica.

A decisão de Washington, porém, reabre a polêmica e insere o Mais Médicos no centro de um embate diplomático e ideológico que envolve, de um lado, a política externa dos EUA em relação a Cuba e, de outro, a estratégia brasileira para ampliar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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