
Especialistas do HBDF destacam que a prática regular de atividades físicas fortalece músculos, melhora o equilíbrio e reduz o risco de doenças e fraturas na terceira idade
Por Redação
Envelhecer com autonomia e qualidade de vida depende de uma série de cuidados, e a prática regular de exercícios físicos ocupa lugar de destaque entre eles. Mais do que melhorar o condicionamento físico, manter o corpo em movimento fortalece a musculatura, preserva a saúde dos ossos, melhora o equilíbrio, reduz o risco de quedas e contribui para que os idosos permaneçam independentes nas atividades do dia a dia.
Com o avanço da idade, é natural que ocorra perda gradual de massa muscular, redução da força e diminuição da densidade óssea. Essas mudanças podem comprometer a mobilidade e aumentar a vulnerabilidade a quedas e fraturas, especialmente entre pessoas sedentárias. A boa notícia é que esses efeitos podem ser retardados com a adoção de uma rotina de exercícios adequada às condições de cada pessoa.
Segundo especialistas do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), nunca é tarde para começar. Mesmo idosos que passaram anos sem praticar atividades físicas podem obter ganhos importantes de força, equilíbrio, flexibilidade e resistência quando iniciam um programa de exercícios de forma gradual e com orientação profissional.
“O exercício físico é um dos principais aliados do envelhecimento saudável. Além de fortalecer a musculatura, ele melhora a estabilidade corporal, protege as articulações e contribui para a manutenção da independência funcional”, explica o fisioterapeuta especialista em Traumato-Ortopedia e Desportiva do HBDF, André Luiz Maia.
Fortalecimento muscular faz diferença
Entre as atividades mais recomendadas para a população idosa estão os exercícios de fortalecimento muscular, conhecidos como treinamento de força. A musculação é uma das opções mais eficazes, mas não é a única.
Exercícios com elásticos, pesos leves, aparelhos, além de movimentos utilizando o próprio peso corporal, como sentar e levantar da cadeira, também promovem ganhos importantes de força e resistência. O fortalecimento dos músculos reduz a sobrecarga nas articulações, melhora a postura e contribui para a prevenção da osteopenia e da osteoporose.
“O importante é respeitar os limites individuais. A intensidade deve ser aumentada gradualmente e sempre considerar o histórico de saúde, o condicionamento físico e possíveis doenças associadas”, orienta o fisioterapeuta.
Equilíbrio e mobilidade reduzem o risco de quedas
Além do fortalecimento muscular, os exercícios voltados ao equilíbrio e à coordenação motora desempenham papel fundamental na prevenção de acidentes.
Treinos que envolvem mudanças de direção, apoio em um pé, caminhada em diferentes superfícies, dança e atividades como pilates ajudam a melhorar a estabilidade corporal e diminuem significativamente o risco de quedas — uma das principais causas de internação entre idosos.
Exercícios simples incorporados à rotina, como subir e descer degraus, caminhar regularmente e levantar da cadeira sem apoio das mãos, também estimulam a funcionalidade e ajudam a manter a autonomia.
Benefícios vão além do corpo
Os efeitos positivos da atividade física não se limitam ao sistema musculoesquelético. A prática regular também melhora a saúde cardiovascular, ajuda no controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, favorece o funcionamento do sistema imunológico e contribui para a manutenção do peso corporal.
No aspecto emocional, os exercícios estimulam a liberação de substâncias relacionadas ao bem-estar, auxiliando na redução da ansiedade e dos sintomas de depressão. Também favorecem o convívio social quando realizados em grupo, fortalecendo vínculos e reduzindo o isolamento, frequente durante o envelhecimento.
Exercícios devem ser individualizados
Embora a atividade física seja recomendada para praticamente todos os idosos, a escolha dos exercícios deve considerar as características e limitações de cada pessoa.
Quem apresenta osteoporose, doenças cardiovasculares, problemas articulares ou outras condições clínicas pode e deve praticar exercícios, desde que receba avaliação e acompanhamento adequados.
“O problema não é o exercício em si, mas a forma como ele é realizado. Assim como um medicamento, ele precisa ser prescrito na intensidade correta para oferecer benefícios com segurança”, destaca André Luiz Maia.
Antes de iniciar qualquer programa de atividade física, especialmente após longos períodos de sedentarismo ou na presença de doenças crônicas, é recomendável realizar uma avaliação médica.
Alimentação também é importante
Os especialistas lembram que o exercício físico faz parte de um conjunto de hábitos que favorecem o envelhecimento saudável. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de proteínas, cálcio e vitamina D, além da exposição solar de forma segura e do acompanhamento médico periódico, também são fundamentais para preservar músculos e ossos.
Segundo a chefe do Serviço de Endocrinologia do HBDF, Alessandra Christine Vieira, a manutenção da saúde óssea depende da combinação entre atividade física, alimentação adequada e equilíbrio hormonal.
“A vitamina D favorece a absorção do cálcio e sua incorporação aos ossos. Já o cálcio obtido pela alimentação é a principal fonte para manter a formação óssea e reduzir a perda de massa ao longo dos anos”, explica.
Movimento é sinônimo de independência
Mesmo atividades consideradas simples podem produzir resultados expressivos quando realizadas regularmente. Caminhadas, dança, hidroginástica, pilates e exercícios de fortalecimento adaptados contribuem para que o idoso mantenha sua capacidade de realizar tarefas cotidianas, como caminhar, subir escadas, carregar objetos e cuidar da própria rotina.
Mais do que aumentar a expectativa de vida, a prática de exercícios físicos ajuda a garantir qualidade aos anos vividos.
“O envelhecimento não significa perda inevitável da autonomia. Quanto mais ativa a pessoa permanece, maiores são as chances de continuar independente, segura e com boa qualidade de vida”, conclui o fisioterapeuta.
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Da Redação do Agenda Capital




