Thiago Peixoto será o novo secretário de Educação do DF. Foto: Reprodução Redes Sociais.

Governadora atribui mudança à necessidade de melhorar os resultados da rede pública; novo secretário tem histórico de avanço no Ideb de Goiás. O novo secretário será Thiago Peixoto.

Por Delmo Menezes

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), decidiu exonerar a secretária de Educação, Iêdes Soares Braga, após os resultados considerados insatisfatórios do Distrito Federal no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A mudança foi definida neste sábado (8/8) e o ato de exoneração deverá ser publicado no Diário Oficial do Distrito Federal na segunda-feira (10).

Para comandar a Secretaria de Educação, Celina escolheu o ex-deputado federal e ex-secretário de Educação de Goiás, Thiago Peixoto. A aposta da governadora é levar para o DF a experiência de gestão que, segundo registros oficiais do governo goiano, contribuiu para uma forte evolução dos indicadores educacionais daquele estado.

“Ele é um gestor, um técnico que sempre mostrou resultado por onde passou. Meu compromisso sempre foi de manter aquilo que era positivo, que tinha resultado, e de melhorar aquilo que precisa melhorar. Então, vamos mexer”, afirmou Celina Leão à reportagem.

Resultado preocupa o governo

A troca no comando da Educação ocorre após a divulgação dos resultados do Ideb, que apontaram dificuldades da rede educacional do DF, especialmente no ensino médio.

Em 2023, o Distrito Federal registrou Ideb de 4,2 no ensino médio, enquanto a rede pública alcançou 3,7. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice geral foi de 5,0, e nos anos iniciais, de 6,4.

Os números mais recentes apresentados pelo governo acenderam o sinal de alerta na administração de Celina. No ensino médio, o DF teria registrado nota 4,1, abaixo da média nacional de 4,5, segundo os dados apresentados após a nova rodada de avaliação.

A situação ganhou ainda mais repercussão porque a avaliação ocorre em um momento em que o governo busca apresentar resultados concretos na área da educação.

Declaração de Iêdes provocou reação

A saída de Iêdes Braga também foi influenciada pelo desgaste provocado por uma declaração dada pela então secretária à TV Globo na quinta-feira (6), após a divulgação dos resultados.

Ao comentar o desempenho das escolas públicas do DF, Iêdes afirmou que, se o Ideb fosse desconsiderado, avaliaria a qualidade da educação da rede entre 7,5 e 8 em uma escala de zero a dez.

“Se eu desconsiderar o Ideb, eu posso dizer que a gente hoje, em termos de 0 a 10, com a estrutura que a gente tem, com o profissional qualificado, com formação continuada que a gente oferta… Desconsiderando a escala Saeb, eu poderia colocar que a gente está num nível 7,5 a 8, com possibilidade de melhorar”, declarou.

A avaliação não foi bem recebida pela cúpula do Governo do Distrito Federal, especialmente diante dos resultados apresentados pelo Ideb.

Quem é Thiago Peixoto

O novo secretário de Educação chega ao DF com uma trajetória ligada à gestão pública e à área educacional.

Thiago Peixoto foi secretário de Educação de Goiás durante o governo de Marconi Perillo. Em Goiás, esteve à frente de uma reforma educacional que levou o estado da 16ª para a 1ª colocação no Ideb do ensino médio e à 2ª posição no ensino fundamental, segundo registros do governo goiano e informações divulgadas pelo próprio partido.

Entre as medidas adotadas durante sua gestão esteve o chamado Pacto pela Educação, conjunto de ações voltadas à melhoria da aprendizagem e à redução da evasão escolar. O governo de Goiás atribuiu parte dos avanços obtidos no período às mudanças implementadas na gestão de Peixoto.

Peixoto entrou na política em 2006, quando foi eleito deputado estadual. Em 2010, conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados e, posteriormente, licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Educação de Goiás.

A escolha do novo secretário sinaliza que Celina Leão pretende dar à pasta um perfil mais técnico e orientado para resultados, especialmente nos indicadores de aprendizagem.

Mudança também tem repercussão política

A exoneração de Iêdes Braga deverá provocar efeitos políticos dentro da estrutura do governo. A ex-secretária Hélvia Paranaguá, que teria indicado Iêdes para a Secretaria de Educação, é apontada nos bastidores como uma das figuras que podem ser afetadas pela mudança.

Hélvia, que vinha sendo cotada para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, poderá rever seus planos eleitorais diante da perda de espaço na Secretaria de Educação e da saída de uma de suas principais aliadas na pasta.

A mudança, portanto, ocorre não apenas em resposta aos resultados educacionais, mas também em um cenário de reorganização política do governo às vésperas das eleições de 2026.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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