
A análise no STF é de que uma transferência imediata para a Papuda poderia gerar forte comoção política e popular, ampliando tensões em um momento já sensível
Por Delmo Menezes
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta terça-feira (25) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuará preso na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, onde está desde sábado (22), após ter sido condenado a 27 anos e três meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado. A possibilidade de transferência para a Penitenciária da Papuda, no Distrito Federal, não está descartada, mas foi adiada por razões estratégicas.
Na decisão, Moraes determinou que Bolsonaro permaneça na sala de Estado-Maior instalada na PF e ordenou a realização de exames médicos oficiais para o início da execução da pena, incluindo avaliações clínicas necessárias ao tratamento penitenciário adequado.
Discrição e contenção política
A análise no STF é de que uma transferência imediata para a Papuda poderia gerar forte comoção política e popular, ampliando tensões em um momento já sensível. O tribunal busca evitar um novo desgaste institucional, optando por conduzir a execução da pena de forma “a mais discreta possível”.
A estratégia de contenção ficou evidente desde a prisão preventiva decretada no sábado. Não houve divulgação de imagens do ex-presidente sendo levado à carceragem da PF. Na segunda-feira (24), a película da porta onde Bolsonaro havia sido visto por fotógrafos foi trocada, em mais uma tentativa de reduzir a exposição.
Além de preservar a imagem do réu, a postura atual marca um contraste com momentos de alta espetacularização da Lava Jato — quando, por exemplo, a prisão do então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobilizou milhares de apoiadores em Curitiba.
Acordo com as Forças Armadas
O compromisso por operações discretas não parte apenas do STF e da PF. No dia 17, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, solicitou a Moraes que os militares condenados pela trama golpista não fossem algemados no momento das prisões. O pedido foi feito durante encontro na residência do general, com a presença do ministro da Defesa, José Múcio.
Entre os militares sentenciados estão o ex-comandante do Exército e ex-ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, e o general Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Ambos cumprirão pena em unidades militares, conforme determina a legislação.
Prisão escalonada
A manutenção de Bolsonaro na Superintendência da PF segue a lógica gradual adotada por Moraes desde o início do processo. Primeiro, foram impostas restrições, como o afastamento das redes sociais. Após o descumprimento das ordens, o ministro decretou prisão domiciliar.
Com o surgimento de manifestações convocadas para ocorrer perto da residência do ex-presidente e sinais de violação da tornozeleira eletrônica — interpretados pelo STF como tentativa de fuga — Moraes determinou a prisão preventiva.
Agora, o cenário aponta para a continuidade da custódia na PF. Contudo, a depender da evolução dos fatos, a transferência para a Papuda poderá ocorrer em momento considerado mais seguro e menos sensível.
O que está descartado, segundo fontes do STF, é qualquer possibilidade de retorno à prisão domiciliar, já que foi nesse ambiente que ocorreram as violações que levaram à atual situação.
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Da Redação do Agenda Capital






