Ex-governador de Minas Gerais promete endurecer o combate ao crime organizado, reduzir privilégios e ampliar a liberdade econômica; legenda ainda busca um nome para compor a vice-presidência.
Por Delmo Menezes
O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27/7), durante convenção nacional realizada de forma virtual e anunciada em Brasília, a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República nas eleições de 2026. A legenda, no entanto, ainda não definiu quem será o candidato a vice-presidente na chapa.
A confirmação do nome de Zema foi aprovada por unanimidade pelos integrantes do partido e marcou o início oficial de sua campanha ao Palácio do Planalto. Durante o evento, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, destacou a trajetória administrativa do ex-governador e afirmou que a legenda pretende apresentar ao país um modelo de gestão baseado em eficiência, responsabilidade fiscal e combate aos privilégios.
Em seu discurso, Romeu Zema agradeceu o apoio da militância e da direção partidária e afirmou que reúne experiência e credenciais para disputar o comando do país.
“Quero agradecer a todos do Partido Novo pela confiança e por endossarem meu nome. Considero que tenho todas as credenciais e experiência para assumir a Presidência da República”, declarou.

Segurança pública e combate ao crime organizado
Um dos principais eixos do discurso foi a segurança pública. Zema prometeu endurecer o combate ao crime organizado, defendendo que facções criminosas passem a ser classificadas como organizações terroristas.
Entre as propostas apresentadas está a construção de um superpresídio em uma região isolada do país, “de preferência no meio da Amazônia”, destinado a receber lideranças de facções criminosas. Segundo ele, esses presos deverão cumprir longos períodos de encarceramento, como forma de enfraquecer o comando das organizações criminosas.
O candidato também afirmou que pretende recuperar áreas atualmente dominadas pelo crime organizado, reforçando a presença do Estado e das forças de segurança.
Críticas ao STF e ao governo Lula
Ao longo da convenção, Zema fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador afirmou que pretende acabar com o que chamou de “farra dos intocáveis”, defendendo maior responsabilização de autoridades públicas.
O presidenciável também ressaltou sua experiência no setor privado, afirmando ser o único candidato que conhece de perto a realidade dos empreendedores brasileiros e que pretende reduzir burocracias, incentivar investimentos e criar um ambiente mais favorável para empresas e geração de empregos.
Entre as promessas apresentadas estão ainda o combate à corrupção, a eliminação de privilégios na administração pública e a proibição de favorecimento político ou familiar em sua eventual gestão.
Apoio da direção do Novo
Durante a cerimônia, o presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro, afirmou que a administração de Romeu Zema em Minas Gerais demonstra que uma gestão baseada em responsabilidade e eficiência pode produzir resultados concretos.
Segundo ele, a experiência do ex-governador servirá de referência para o projeto nacional que o Novo pretende apresentar aos eleitores nas eleições de 2026.
Vice ainda será definido
Apesar da oficialização da candidatura presidencial, o Novo ainda não definiu quem ocupará a vaga de vice na chapa.
Questionado sobre o assunto, Romeu Zema afirmou que a decisão será tomada até o prazo final estabelecido pela Justiça Eleitoral, em 5 de agosto. Segundo ele, o partido procura um nome de “ficha limpa”, comprometido com os princípios da legenda e alinhado ao projeto político da candidatura.
Zema revelou que existem conversas tanto com integrantes do próprio Novo quanto com possíveis aliados de outras siglas, embora não tenha confirmado nenhum nome.
Nos últimos dias, chegaram a ser cogitados o empresário Geraldo Rufino, que posteriormente decidiu disputar uma vaga ao Senado por São Paulo, e o ex-presidente do STF Joaquim Barbosa, com quem Zema afirmou que pretende conversar pessoalmente.
Trajetória
Natural de Araxá (MG), Romeu Zema tem 61 anos, é administrador de empresas formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e atuou por décadas no setor empresarial antes de ingressar na política.
Governou Minas Gerais entre 2019 e março de 2026, quando renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. Durante sua trajetória política, aproximou-se do campo da direita e apoiou Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022.
Nos últimos meses, também passou a fazer críticas públicas ao candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, após divergências relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master, descartando qualquer possibilidade de integrar uma chapa conjunta.
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Da Redação do Agenda Capital





