Operação ocorre após uma inspeção do TCDF (Tribunal de Contas do Distrito Federal). A corte apontou que o PicPay teria descontado R$ 81 milhões em salários de servidores do GDF entre 2024 e 2025.

MP cumpre 50 mandados e bloqueia R$ 90 milhões em ação contra ex-secretário do DF e ex-presidente do BRB

Por Redação

Na manhã desta sexta-feira (19/6), o Ministério Público (MP) deflagrou uma grande operação para investigar um suposto esquema de descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do governo do Distrito Federal (GDF). A ação cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF), São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Não há ordens de prisão sendo executadas nesta data.

A Justiça também determinou o bloqueio de quase R$ 90 milhões nas contas do PicPay e da Associação dos Servidores do Distrito Federal.

Alvos e investigados

As buscas têm como alvo órgãos públicos, instituições financeiras e empresas privadas. Entre as entidades que sofrem a ação do MP estão:

  • Banco de Brasília (BRB), responsável pelos pagamentos do funcionalismo;
  • Secretaria de Economia do DF;
  • Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev);
  • Empresa PicPay (pertencente ao grupo J&F);
  • Associação dos Servidores Públicos do DF.

Entre os principais nomes investigados na operação estão Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF; Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (que já se encontra preso); e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay, que possui indiciamento prévio pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.

Como funcionava o suposto esquema

De acordo com o Ministério Público, as investigações apontam que os suspeitos se utilizaram de um decreto distrital, editado em 2024, que teria sido criado especificamente para viabilizar o suposto esquema.

A dinâmica consistia na realização de descontos indevidos diretamente nas folhas de pagamento dos servidores, aplicando juros camuflados sob a denominação de “taxas”. A empresa PicPay, após assumir a folha do governo do DF, passou a efetuar essa cobrança disfarçada.

Os crimes que estão sob apuração pelas autoridades competentes envolvem:

  • Crimes contra a economia popular;
  • Publicidade enganosa nas relações de consumo;
  • Inserção e modificação de dados em sistemas da Administração Pública;
  • Corrupção ativa e passiva;
  • Organização criminosa;
  • Lavagem de dinheiro.

Posicionamento do PicPay

Em nota oficial, a empresa de meios de pagamento rechaçou as acusações e afirmou que atua em conformidade com as leis vigentes. Leia a manifestação na íntegra:

“O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.

A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.

O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.

O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.

A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação.”

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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