
Investigação aponta que organização faturou mais de R$ 7 milhões com plataforma que permitia consultas a CPFs, endereços, documentos e até processos judiciais
Por Delmo Menezes
A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (24), uma operação contra um grupo suspeito de manter um esquema milionário de comercialização ilegal de dados sigilosos de milhões de brasileiros. Segundo as investigações, a organização teria movimentado mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e este ano com a venda das informações.
Ao todo, os agentes cumprem 13 mandados de prisão e de busca e apreensão em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco.
De acordo com a investigação, o grupo mantinha uma plataforma que cobrava mensalidade dos usuários para permitir consultas a uma extensa base de informações pessoais. Entre os dados disponibilizados estariam nomes, CPFs, CNPJs, filiação, endereços, documentos e informações sobre processos judiciais.
Dados teriam origem em vazamentos
A apuração da PCDF aponta que as informações comercializadas eram obtidas por meio de vazamentos de dados e da exploração de vulnerabilidades em sistemas de órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia.
A dimensão da base de informações chamou a atenção dos investigadores pela quantidade e pelo nível de detalhamento dos dados que poderiam ser consultados pelos usuários da plataforma.
Segundo a Polícia Civil, o grupo não estaria apenas operando o sistema já identificado. Os investigadores descobriram que os suspeitos já trabalhavam no desenvolvimento de uma segunda plataforma, que teria finalidade semelhante.
Justiça determina bloqueio de R$ 7 milhões
Além dos mandados, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 7 milhões em bens e valores ligados aos investigados.
Entre os patrimônios que podem ser atingidos pela medida estão imóveis, veículos de alto padrão e uma embarcação.
Também foi determinada a retirada do site do ar, numa tentativa de interromper o funcionamento da estrutura utilizada pelo grupo para comercializar as informações.
Investigados podem pegar até 36 anos de prisão
Os suspeitos são investigados por uma série de crimes, entre eles organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.
De acordo com a investigação, considerando as penas previstas para os crimes apurados, a soma das condenações pode chegar a 36 anos de prisão.
A operação busca agora aprofundar a identificação de todos os integrantes da organização, a origem dos dados obtidos ilegalmente, os responsáveis pelos vazamentos e a extensão da rede de pessoas que utilizavam a plataforma.
O caso também reforça o alerta sobre os riscos relacionados à exposição e ao comércio clandestino de informações pessoais, especialmente diante da possibilidade de utilização desses dados para fraudes, golpes e outros crimes.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital



