Pressão política deve marcar o debate eleitoral, enquanto cenário futuro pode favorecer avanço de medidas contra ministros do Supremo
Por Redação
BRASÍLIA – Ministros e assessores do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que as iniciativas para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e pedidos de impeachment envolvendo magistrados da Corte devem permanecer estagnadas ao longo de 2026. No entanto, a leitura interna é de que o cenário pode mudar significativamente a partir de 2027, com a renovação do Congresso Nacional.
De acordo com interlocutores do tribunal, apesar da pressão crescente no Congresso Nacional, não há ambiente político imediato para o avanço de medidas como a CPI que pretende investigar supostas ligações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o chamado caso Banco Master.
A avaliação predominante é de que o tema será explorado politicamente durante as campanhas eleitorais deste ano, mas sem desdobramentos concretos no curto prazo. A tendência é que o assunto sirva como combustível retórico, especialmente entre parlamentares e candidatos alinhados à direita e ao bolsonarismo.
Senado deve frear avanços
Mesmo com o número necessário de assinaturas já reunido para a instalação da CPI, a expectativa é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, atue para impedir o andamento da proposta neste momento. O mesmo cenário se aplica aos pedidos de impeachment que tramitam contra ministros do STF.
Dois fatores principais contribuem para esse freio institucional. O primeiro é que as investigações sobre o caso ainda estão em curso e já atingiram nomes do próprio Parlamento, o que poderia tornar a CPI um movimento arriscado para deputados e senadores.
O segundo fator é o calendário eleitoral. A partir do segundo semestre, o Congresso tende a operar com quórum reduzido, dificultando a tramitação de processos complexos como CPIs e pedidos de afastamento de ministros.
Pressão deve crescer com nova composição do Congresso
Apesar da paralisação momentânea, fontes do STF avaliam como “inevitável” que o tema retorne com força em 2027. A expectativa é de que a eleição de novos parlamentares, especialmente com perfil mais conservador, amplie a pressão institucional sobre a Corte.
O ex-presidente Jair Bolsonaro já vinha defendendo publicamente a importância de fortalecer a presença de aliados no Senado, justamente pelo papel da Casa em processos contra ministros do STF. A estratégia inclui articulações políticas em diversos estados e alianças eleitorais com nomes de peso.
Entre os exemplos citados estão movimentações envolvendo lideranças como Sergio Moro, Filipe Barros e Deltan Dallagnol, além de candidaturas ligadas diretamente à família Bolsonaro.
Clima de tensão institucional
O senador Alessandro Vieira, um dos principais defensores da CPI, tem adotado tom crítico em relação ao Supremo. Ele afirma haver necessidade de investigação sobre eventuais irregularidades envolvendo ministros, ressaltando que qualquer apuração deve se basear em provas.
Atualmente, tramitam no Congresso 97 pedidos de impeachment contra ministros do STF, sendo 11 apresentados apenas neste ano — seis contra Moraes e cinco contra Toffoli.
Caso Master amplia desgaste
O Supremo entrou no centro da crise após revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os episódios, estão a divulgação de um contrato milionário entre o Banco Master e a advogada Viviane de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, além de trocas de mensagens entre o ministro e o empresário.
No caso de Dias Toffoli, surgiram informações de que uma empresa da qual ele é sócio teria recebido recursos de um fundo ligado ao banco. Após a repercussão, o ministro se afastou da relatoria e se declarou suspeito para atuar nos julgamentos relacionados ao caso.
Internamente, ministros reconhecem a gravidade da crise, mas ainda não há uma estratégia definida para conter o desgaste institucional.
Desconfiança cresce entre brasileiros
O impacto político e institucional já se reflete na opinião pública. Pesquisa AtlasIntel/Estadão aponta que 60% dos brasileiros dizem não confiar no STF, enquanto 34% afirmam confiar. Outros 6% não souberam opinar.
O índice de desconfiança é o maior desde o início da série histórica, em janeiro de 2023, quando confiança e desconfiança estavam praticamente empatadas.
O levantamento também indica deterioração na imagem de ministros da Corte e mostra que dois em cada três brasileiros acreditam haver algum tipo de envolvimento de integrantes do STF no caso Master.
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Da Redação do Agenda Capital








