Ex-governador mira Câmara Federal com discurso de experiência e reconstrução
Por Delmo Menezes
O ex-governador do DF Agnelo Queiroz está de volta ao cenário político e pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 pelo PT. Após recuperar os direitos políticos, Agnelo afirma que retorna à vida pública com um discurso de experiência, independência e defesa de pautas sociais, como ampliação de creches, fortalecimento do SUS e maior atenção às regiões administrativas do DF.
Em entrevista exclusiva ao portal de notícias Agenda Capital, Agnelo também faz críticas à atual condução do Governo do Distrito Federal, especialmente na saúde pública e na gestão do Centro Administrativo, mas procura se posicionar como uma voz moderada e propositiva na oposição.
Ao explicar o que motivou sua pré-candidatura a Câmara Federal, Agnelo Queiroz afirmou que deseja colocar novamente sua experiência política a serviço do Distrito Federal.
“Minha motivação é continuar contribuindo com a população usando a experiência que adquiri ao longo da vida pública. Já fui deputado distrital, deputado federal, ministro e governador. Sei da importância que um parlamentar federal tem para trazer recursos, obras e investimentos para Brasília”, afirmou.
Segundo ele, o momento atual exige parlamentares experientes e com capacidade de articulação em Brasília.

Veja a entrevista na íntegra:
1. O senhor está de volta ao tabuleiro político depois de um período de afastamento e recuperação dos seus direitos políticos. O que o motiva a concorrer a uma vaga de deputado federal em 2026?
Agnelo Queiroz: A motivação é continuar contribuindo com a nossa população, usando a experiência que adquiri. Já fui deputado distrital, federal, ministro e governador. Tenho convicção de que posso ajudar neste momento dramático que vivemos, tanto no plano nacional quanto no local. Sei da importância que um deputado federal tem para trazer recursos e obras para a nossa cidade, como fiz quando coordenava a bancada de orçamento. Brasília precisa de representantes preparados para buscar investimentos e defender os interesses da cidade. Não existe milagre; existe trabalho técnico, articulação política e conhecimento do orçamento público, ressaltou.
2. O senhor governou o DF e agora quer voltar ao Legislativo. Qual será a sua principal bandeira se for eleito?
Agnelo Queiroz: Sem dúvida, a ampliação de creches no DF e no Brasil. A primeira infância é decisiva para o desenvolvimento humano. Além disso, a creche permite que a mãe trabalhe, tenha autonomia financeira e ajuda no enfrentamento à violência contra a mulher. É na primeira infância que a criança adquire habilidades para a vida.
3. Recentemente, o senhor criticou a ideia de usar o Centro Administrativo (Centrad) como garantia para salvar o BRB. Qual é a sua solução para o imóvel?
Agnelo Queiroz: É uma medida completamente inoperante. O Centrad não pode ser usado assim, pois nem tem dinheiro público envolvido; foi uma parceria público-privada. O que precisa ser feito é ocupar o Centrad urgentemente. Brasília é a única capital do Brasil que não tem um Centro Administrativo. Ele está localizado onde moram dois terços da população. Não pode virar instrumento para cobrir problemas financeiros
4. O senhor foi médico da rede pública e governador. Como avalia a situação da saúde no DF atualmente?
Agnelo Queiroz: Sou médico de formação e servidor aposentado da Secretaria de Saúde do DF. Vivemos um caos que começou quando passaram o Hospital de Base para uma organização social no governo Rollemberg. Foi um tiro no coração do SUS. Hoje, dão mais atenção e recursos ao IGESDF do que à própria Secretaria de Saúde. É um desrespeito à carreira e uma destruição do sistema público. Hoje vivemos uma situação muito difícil na saúde pública do DF. Sempre defendi um SUS fortalecido, valorizando servidores e ampliando investimentos diretos na rede pública, disse.
5. Apesar das críticas, o senhor cita o Hospital da Criança de Brasília como um orgulho da sua gestão. Por quê?
Agnelo Queiroz: É o meu maior orgulho, seguramente. Sempre tive o sonho de que a criança não deveria ser tratada em um hospital geral. Fiz o compromisso e entreguei em 11 meses. O hospital completou 15 anos recentemente, realizou mais de oito milhões de procedimentos e tem reconhecimento internacional. É uma das melhores unidades de saúde do Brasil e jamais pode ser menosprezada. O modelo especializado ajudou a transformar o atendimento infantil no Distrito Federal.
6. O senhor afirma ter trazido R$ 17 bilhões para Brasília quando foi governador. Como um deputado federal pode repetir esse feito?
Agnelo Queiroz: Isso vem da experiência. Na época, o orçamento de investimento somado dos quatro anos seria de R 6 bilhões, mas trouxemos R$ 17 bilhões. Isso só é possível com capacidade de saber onde está o recurso disponível e como fazer o projeto. No Congresso, falta fiscalização. Atuei muito na área de orçamento e sei coordenar uma bancada. Brasília precisa de representantes preparados para buscar investimentos e defender os interesses da cidade. Não existe milagre; existe trabalho técnico, articulação política e conhecimento do orçamento público, como foi feito com o metrô de Brasília.
7. O senhor ficou inelegível em razão de acusações que lhe imputaram. Por que o eleitor deveria confiar novamente em Agnelo Queiroz?
Agnelo Queiroz: Porque a Justiça foi feita. Tive todas as condenações anuladas e recuperei meus direitos políticos. Passei por um processo de profundo sofrimento, mas fui inocentado. Quero voltar a contribuir com a minha experiência de quem já fiscalizou gastos, coordenou bancada e entregou obras que mudaram a cidade. Erros políticos podem ter ocorrido, mas nunca agi com desonestidade. Quero voltar à política para continuar defendendo Brasília. Precisamos discutir o futuro da cidade com responsabilidade, independência e respeito à população
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Da Redação do Agenda Capital







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