Bastidores do partido fervem após saída de Ibaneis da corrida eleitoral e vive dias de intensas articulações
Por Delmo Menezes
A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha de disputar uma vaga ao Senado abriu um novo capítulo de incertezas dentro do MDB do Distrito Federal. Faltando poucos dias para o prazo final das convenções partidárias, marcado para 5 de agosto, a legenda segue dividida sobre qual estratégia adotará para as eleições deste ano.
Nos bastidores, diferentes correntes disputam espaço e defendem caminhos distintos para o partido. Uma ala acredita que o MDB deve lançar candidatura própria ao Governo do Distrito Federal, apostando em um projeto independente para manter o protagonismo político conquistado nos últimos anos.
Outro grupo considera mais vantajoso preservar a aliança com a governadora Celina Leão (PP), que busca a reeleição e lidera as pesquisas de intenção de voto. A avaliação é de que a manutenção da parceria garantiria ao MDB espaço em um eventual novo governo e fortaleceria a base política do partido.
Há ainda dirigentes que enxergam a possibilidade de uma reaproximação com o campo liderado pelo PT. Nos bastidores, voltou a ser lembrada a hipótese de uma composição entre Rafael Prudente e Leandro Grass, em um modelo semelhante ao adotado em 2010, quando Agnelo Queiroz e Tadeu Filippelli formaram uma chapa vitoriosa ao Governo do Distrito Federal com apoio do Palácio do Planalto.
Apesar das especulações, esse cenário é considerado de difícil concretização. O PT já consolidou sua estratégia eleitoral no Distrito Federal, com Leandro Grass como candidato ao Governo e uma chapa ao Senado formada por Erika Kokay e Leila do Vôlei (PDT), reduzindo o espaço para novas negociações.
Outra possibilidade que circula entre lideranças emedebistas é uma aproximação com o PSD, legenda ligada ao ex-governador José Roberto Arruda. Embora não exista qualquer definição oficial, a alternativa também integra as discussões internas sobre o futuro da sigla.
Prazo pressiona dirigentes
Com o calendário eleitoral avançando, cresce a pressão para que o MDB tome uma decisão. Um importante interlocutor político resume o momento vivido pela legenda ao afirmar que “até 4 de agosto, tudo pode acontecer”, evidenciando que as negociações permanecem abertas.
A saída de Ibaneis do cenário eleitoral alterou significativamente os planos do partido, que agora precisa redefinir sua estratégia sem o principal nome da legenda para a disputa majoritária.
Enquanto o MDB busca consenso, a governadora Celina Leão intensifica as articulações para ampliar sua base de apoio e consolidar alianças visando a campanha pela reeleição.
Cenário ainda aberto
Nos bastidores da política brasiliense, a avaliação predominante é de que o quadro permanece completamente indefinido. Até a realização das convenções, novas alianças, composições e até mudanças de estratégia não estão descartadas.
O MDB chega à reta final das negociações vivendo um dos momentos mais delicados do atual processo eleitoral. Sem uma definição sobre candidatura própria, manutenção da aliança com o PP ou eventual composição com outras forças políticas, o partido permanece em compasso de espera, enquanto o relógio eleitoral se aproxima da data limite para a definição das chapas.
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Da Redação do Agenda Capital





