Em 35 anos, sistema mudou a realidade do acesso à saúde, elevou a qualidade de vida e segue como principal rede de assistência de 76% da população brasileira

Por Redação

Em 35 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) mudou a realidade do acesso à saúde, elevou a qualidade de vida e segue como principal rede de assistência para 76% da população brasileira.

“Foi na Unidade Básica de Saúde que fiz meu pré-natal, recebi todas as vacinas e no hospital onde meu filho nasceu com segurança. Hoje, quando ele adoece, sei que posso contar com o SUS.” O depoimento é da técnica de enfermagem Ana Célia dos Santos, moradora da zona rural de São Raimundo Nonato (PI). Ela traduz em palavras o que o Sistema Único de Saúde (SUS) representa na vida de milhões de brasileiros: confiança e acolhimento.

Neste 19 de setembro, o SUS completa 35 anos e se consolida como o maior sistema público, gratuito e universal de saúde do mundo. Resultado do movimento histórico da 8ª Conferência Nacional de Saúde (1986), o SUS ganhou forma na Constituição de 1988, que definiu a saúde como direito de todos e dever do Estado. Em 1990, a Lei nº 8.080 regulamentou o sistema em todo o território nacional.

Antes do SUS, apenas trabalhadores formais vinculados à Previdência Social tinham atendimento garantido nos hospitais públicos. Na prática, apenas 30 milhões de pessoas eram beneficiadas. Para o restante da população, a alternativa era a caridade, os serviços filantrópicos ou o pagamento direto.

Hoje, toda a população tem direito ao atendimento — 76% dos brasileiros dependem diretamente do SUS, o que representa cerca de 213 milhões de pessoas. Por ano, o SUS realiza 2,8 bilhões de atendimentos e conta com cerca de 3,5 milhões de profissionais em atuação.

Atenção básica em todo o território

Uma das ações que consolidou o cuidado integral no SUS foi a Estratégia Saúde da Família (eSF). Lançada em 1994, é um modelo inovador da Atenção Primária à Saúde (APS), que coloca a saúde no centro das necessidades da pessoa, da família e do território.

As equipes atuam em todas as regiões do país com ações de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento nas UBS das cidades, mas também em áreas remotas, fluviais, consultórios de rua e territórios indígenas.

“O SUS me devolveu a vida”

O Brasil tem a maior rede pública de transplantes do mundo. Em 2024, o país bateu recorde histórico com 30 mil procedimentos realizados pelo SUS. Além dos transplantes, o sistema também fornece gratuitamente os medicamentos imunossupressores, essenciais para a vida dos transplantados.

Robério Melo, presidente do Instituto Brasileiro de Transplantados. Reprodução.

Robério Melo, brasiliense de 52 anos, descobriu em 2017 que 90% de seu fígado estava comprometido por uma doença rara. Ouviu dos médicos que teria apenas três dias de vida. No terceiro dia, graças ao SUS, recebeu um transplante de fígado no Instituto de Cardiologia e Transplantes do DF.

“Eu renasci. O SUS me devolveu a vida. Essa segunda chance me transformou e hoje dedico minha trajetória a mostrar que doar órgãos é doar vida, e sou a prova viva de que a solidariedade salva”, afirma Robério.

Hoje Robério Melo é o presidente do IBTx – Instituto Brasileiro de Transplantados. 

Enfrentamento à pandemia

A luta contra a Covid-19 marcou o SUS como essencial. “Eu acredito muito na força do coletivo. Me recordo que, durante a pandemia, a gente viu que nós podemos realizar e cuidar de forma eficaz da saúde do povo. A atenção primária foi essencial durante a pandemia e ela é essencial para que o SUS funcione!”, relembra Cintia Fernanda de Lima, agente comunitária de saúde de Natal (RN), que atua há 26 anos no SUS.

Rodrigo Silva Souza, 27 anos, morador de Paracatu (MG), foi diagnosticado com Covid-19 em abril de 2021. A mãe percebeu a gravidade e o levou ao Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, onde ele ficou internado por quase uma semana.

“Cheguei a ter 50% do pulmão comprometido. Mesmo com o hospital lotado e gente chegando toda hora, o SUS cuidou de mim com atenção. Foi o que salvou minha vida”, recorda Rodrigo.

SUS em emergências

Tragédias como a da Boate Kiss (2013) mostraram a força do SUS em emergências. A Força Nacional do SUS (FN-SUS) montou um núcleo de atenção psicossocial em Santa Maria (RS), apoiou o resgate e organizou a transferência de pacientes para hospitais de referência.

Nas enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024, o SUS garantiu atendimento em hospitais de campanha, reforçou a vacinação e ofereceu apoio psicossocial a milhares de pessoas.

Em janeiro de 2023, foi decretada Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) na terra Yanomami — a maior crise humanitária em território indígena. Em dois anos, houve redução de 33% no número total de óbitos. As mortes por doenças respiratórias caíram 45%, por malária 65% e por desnutrição 74%.

Linha do tempo e evolução do SUS

O SUS abriga o maior programa público de vacinação da América Latina: o Programa Nacional de Imunizações (PNI). Hoje, são disponibilizados 48 imunobiológicos (31 vacinas, 13 soros e 4 imunoglobulinas). O programa viabilizou marcos como a erradicação da poliomielite em 1994 e, mais recentemente, a recertificação de país livre do sarampo.

O Brasil também foi pioneiro na oferta da vacina contra a dengue.

Outros avanços importantes incluem:

  • SAMU 192 (2003)
  • Brasil Sorridente (2004)
  • Farmácia Popular (2004)
  • Hemobrás (2004)
  • Rede Cegonha – atual Rede Alyne (2011)
  • Mais Médicos (2013)
  • Brasil Saudável (2024)
  • Agora Tem Especialistas (2025)

Desde 2023, o Governo Federal vem fortalecendo o Complexo Econômico-Industrial da Saúde. A meta é que, em até dez anos, 70% das necessidades do SUS em medicamentos, equipamentos e vacinas sejam atendidas com produção nacional.

Olhando para o futuro

Para enfrentar o desafio histórico das longas filas, foi criado o programa Agora Tem Especialistas, com foco em seis áreas: oncologia, cardiologia, ginecologia, ortopedia, oftalmologia e otorrinolaringologia.

A expansão da telessaúde também é um pilar estratégico. Em 2024, foram realizados 2,5 milhões de atendimentos, o que pode reduzir em até 30% o tempo de espera por consultas especializadas.

O Novo PAC Saúde garante obras, equipamentos e veículos para fortalecer o SUS. Estão previstas novas UBS, salas de teleconsulta, unidades odontológicas móveis, policlínicas, maternidades, CAPS, ambulâncias do SAMU e muito mais — inclusive em territórios indígenas, com atendimento 24 horas e profissionais bilíngues.

O SUS está em tudo

O SUS vai além dos hospitais e postos de saúde — está no copo de água que você bebe, no alimento que consome, nas campanhas de vacinação, na regulação de medicamentos, na vigilância sanitária e no controle de epidemias.

É ciência, prevenção, proteção social. É vida.

Depoimentos de quem vive o SUS

“Eu espero que, nos próximos anos, tenhamos um SUS cada vez mais forte em todas as regiões do país. Que ele chegue a cada pessoa e tenha cada vez mais um olhar para além da saúde.”
– Eleuza Procópio de Souza Martinelli, enfermeira, 65 anos

“O SUS dá toda a assistência para a gente. Se não fosse o SUS, o que seria da gente?”
– Lucicleide Maria da Silva, agricultora, 48 anos

“O mais gratificante de trabalhar no SUS é poder dar ao paciente aquilo que ele não conseguiria em outro lugar, é poder ouvi-lo, acompanhá-lo, tratar não apenas dele, mas de toda a família.” Cláudia Adriana, dentista, 53 anos

“O SUS é algo que me dá orgulho: de ter brasileiros lutando por brasileiros, de levar informação, atenção e cuidado aos que mais precisam. O SUS muda vidas. Mudou a minha.” Gelson de Oliveira, bailarino aposentado, 60 anos.

Com informações do Ministério da Saúde

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