No Palácio do Planalto, a posição oficial é de abertura para o diálogo, mas com firmeza na defesa da soberania nacional.
Por Redação
A contagem regressiva para a entrada em vigor do tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil segue sem qualquer gesto concreto de negociação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump. A sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros começa a valer já nesta sexta-feira, 1º de agosto, e o impasse diplomático preocupa setores produtivos e autoridades brasileiras.
Apesar da gravidade do tema, Lula e Trump nunca se falaram desde que o republicano reassumiu a presidência dos EUA. O governo brasileiro, por sua vez, tem encontrado dificuldades para acessar a Casa Branca e abrir um canal direto de diálogo. Nesta segunda-feira (28), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que não houve sequer conversas com Lula sobre uma possível ligação ao mandatário americano.
Enquanto isso, uma comitiva de senadores brasileiros segue em Washington tentando, sem sucesso até agora, construir pontes com representantes do governo americano. Há divergências entre os parlamentares sobre a estratégia: alguns defendem que Lula deve telefonar diretamente para Trump, considerando que o cenário já é crítico e que não há mais o que perder. Outros, porém, avaliam que esse gesto poderia soar como um sinal de desespero e enfraquecer a posição do Brasil, colocando o país em situação de subserviência diante da Casa Branca.
No Palácio do Planalto, a posição oficial é de abertura para o diálogo, mas com firmeza na defesa da soberania nacional. “O Brasil está disposto a negociar, mas não a qualquer custo”, confidenciou um assessor do governo.
Mesmo sem sinal verde dos EUA, Lula tem adotado medidas internas para tentar mitigar os impactos do tarifaço. Na segunda-feira, o presidente sancionou um programa de incentivo à exportação de micro e pequenas empresas brasileiras, na tentativa de estimular o setor produtivo. Em discurso, Lula responsabilizou a família Bolsonaro pela deterioração das relações bilaterais e cobrou mais maturidade diplomática por parte dos americanos.
“Eu espero que o presidente dos Estados Unidos reflita a importância do Brasil e resolva fazer o que num mundo civilizado a gente faz. Tem divergência? Senta numa mesa, coloca a divergência de lado e vamos resolver. Não de uma forma abrupta, individual, de tomar a decisão de taxar o Brasil em 50%”, declarou Lula.
Na arena internacional, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Nova York para compromissos na ONU, mas não descarta estender sua estadia para Washington caso haja qualquer sinalização de que poderá ser recebido por autoridades do alto escalão americano — o que até agora não ocorreu.
Enquanto isso, os senadores brasileiros devem se reunir nesta terça-feira (29) com parlamentares democratas e republicanos. No entanto, não há, até o momento, encontros confirmados com membros do governo Trump. A avaliação no Itamaraty é que a diplomacia parlamentar pode ajudar a construir um ambiente político mais favorável, mas qualquer avanço real depende de um acordo direto entre os executivos dos dois países.
O tarifaço, considerado um dos maiores ataques comerciais dos Estados Unidos ao Brasil desde o fim da Guerra Fria, poderá afetar duramente setores estratégicos da economia nacional, como o agronegócio, a siderurgia e a indústria de transformação. A três dias do início da vigência da medida, o impasse diplomático mostra o distanciamento político entre os dois líderes e os desafios de reposicionar o Brasil na geopolítica global.
Siga o Agenda Capital no Instagram>https://www.instagram.com/agendacapitaloficial/
Da Redação do Agenda Capital







