Com tarifas abusivas e sanções a ministros, o presidente americano testa no governo Lula as ferramentas que pretende usar para manter a hegemonia dos EUA sobre países emergentes — e o Brasil virou peça-chave nessa estratégia.
Por Redação
As recentes investidas de Donald Trump contra o Brasil — com tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes — não são apenas episódios isolados de tensão diplomática. Fazem parte de uma estratégia mais ampla do presidente americano de testar, no Brasil, suas ferramentas de manutenção da hegemonia global.
Desde que iniciou sua cruzada contra o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Trump deixou claro que não tem pressa ou incentivos para aliviar as tensões. O motivo é simples: enquanto Lula estiver no poder, Trump enxerga mais ganhos do que prejuízos em manter o Brasil sob pressão. E esses ganhos vão além da questão comercial.
A tática é conhecida: exagerar nas exigências, provocar um ambiente de tensão e, se necessário, recuar parcialmente para atender setores empresariais americanos afetados — sem, no entanto, devolver as tarifas ao patamar anterior. É o que analistas chamam de “Trump Always Chickens Out” (Trump Sempre Amarela), mas, mesmo “amarelado”, o estrago já estará feito.
No caso brasileiro, porém, a ofensiva tem uma camada extra de complexidade. O Brasil é visto por Trump como o palco perfeito para ensaiar sua capacidade de interferir na política interna e externa de um país emergente, por meio de dois instrumentos principais: o mercantilismo agressivo e o assédio direto a autoridades.
Essa escolha não é por acaso. Primeiro, porque a narrativa de que o Brasil tem um presidente de esquerda e instituições que “perseguem” um aliado de Trump — Jair Bolsonaro — já está consolidada entre apoiadores do ex-presidente americano e da extrema-direita brasileira. Segundo, porque as exportações brasileiras representam apenas 2% das importações americanas, o que significa que uma escalada comercial com o Brasil tem baixo impacto para a economia dos EUA.
Por outro lado, os ganhos políticos são significativos: minar a influência do Brics, afastar o Brasil do bloco liderado pela China, sabotar a tentativa de criar uma moeda alternativa ao dólar no comércio internacional e desestimular regulações brasileiras contra as gigantes americanas de tecnologia. Além disso, Trump aposta em inflamar a polarização política dentro do Brasil, com o objetivo de fortalecer o bolsonarismo nas eleições de 2026.
A recente deferência de Trump a Javier Milei, presidente da Argentina, é um exemplo do modus operandi. Milei, ao alinhar-se ideologicamente e bajular Trump, conseguiu garantir uma tarifa de apenas 10% para as exportações argentinas — muito abaixo dos 50% impostos ao Brasil. O recado é claro: quem se submete, ganha benefícios.
Até a eleição presidencial no Brasil, em 2026, os atritos entre Trump e Lula, direta ou indiretamente (através de sanções a autoridades brasileiras), continuarão pautando o debate político nacional. A oposição bolsonarista, mesmo as alas que criticam o tarifaço, tentará se vender como a única capaz de “dialogar” com o governo americano. É provável que Trump, estrategicamente, alimente essa narrativa.
O Brasil, neste momento, tornou-se cobaia das estratégias trumpistas de dominação internacional. E, com eleições se aproximando, a política externa americana será um fator decisivo no cenário interno brasileiro.
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Da Redação do Agenda Capital







