Ciro Nogueira, presidente do PP, e Antonio de Rueda, presidente do União Brasil Foto: PP/Divulgação

O União Brasil conta com 59 deputados federais e 8 senadores, e vinha sendo peça-chave na articulação política do Planalto

Por Delmo Menezes

O União Brasil anunciou, nesta quinta-feira (18), que todos os seus filiados que ocupam cargos no governo federal devem pedir exoneração imediata, com prazo máximo de 24 horas para a saída. A decisão atinge ministros, dirigentes de autarquias, fundações públicas, empresas estatais e sociedades de economia mista ligadas à União.

A determinação foi formalizada em uma resolução da Comissão Executiva Nacional do partido, aprovada em reunião nesta quinta-feira. Segundo o documento, quem descumprir a ordem poderá sofrer sanções previstas no estatuto da legenda, após processo disciplinar.

Denúncias e crise política

O movimento ocorre em meio à repercussão de uma denúncia contra o presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Reportagem publicada pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL) e pelo portal UOL trouxe acusações de um piloto que afirmou que Rueda seria dono de aeronaves supostamente utilizadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O dirigente partidário negou veementemente qualquer ligação com o crime organizado.

Na nota divulgada pela legenda, há críticas ao governo federal. O partido vê indícios de influência política do Palácio do Planalto na divulgação da reportagem, lembrando que um dos jornalistas responsáveis também apresenta um programa na TV Brasil, emissora pública ligada ao Executivo.

“Tal ‘coincidência’ reforça a percepção de uso político da estrutura estatal visando desgastar a imagem da nossa principal liderança e, por consequência, enfraquecer a independência de um partido que adotou posição contrária ao atual governo”, diz o texto.

Ministérios sob controle da sigla

Atualmente, o União Brasil comanda o Ministério do Turismo, ocupado por Celso Sabino (PA). Além disso, o partido indicou nomes para outras duas pastas: Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional) e Frederico Siqueira (Comunicações). No entanto, essas escolhas são atribuídas mais diretamente à influência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), que mantém forte peso interno na legenda.

A resolução de hoje consolida a decisão já tomada no início de setembro, quando o União Brasil, em conjunto com o Progressistas — seu parceiro de federação —, anunciou oficialmente o desembarque do governo.

Impacto para o Planalto

Com a saída, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perde uma das maiores bancadas do Congresso entre os partidos da base. O União Brasil conta com 59 deputados federais e 8 senadores, e vinha sendo peça-chave na articulação política do Planalto. A decisão, porém, deve alterar o equilíbrio de forças e ampliar a dependência do governo em negociações com o centrão e outros blocos parlamentares.

Enquanto filiados se preparam para deixar cargos estratégicos nas próximas horas, a disputa política entre o União Brasil e o governo Lula ganha novos contornos, com reflexos diretos nas votações do Congresso e no xadrez das eleições municipais de 2026.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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