
Ex-presidente e deputado foram indiciados pela PF, enquanto pastor está sob medidas cautelares impostas por Alexandre de Moraes
Por Redação
Investigados por tentar atrapalhar as apurações da tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o pastor Silas Malafaia vivem momentos distintos no inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes e segue em fase decisiva após os novos indiciamentos anunciados nesta quarta-feira (20).
Bolsonaro e Eduardo: indiciados pela PF
Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo foram formalmente indiciados pela Polícia Federal (PF) pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito mediante restrição ao exercício dos poderes constitucionais.
O indiciamento significa que a PF já reuniu elementos suficientes para apontar suspeita de crime e remeteu o relatório ao STF. O ministro Alexandre de Moraes já encaminhou o documento à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá agora adotar três caminhos: oferecer denúncia formal ao Supremo, arquivar o caso ou solicitar diligências adicionais.
Paralelamente, Bolsonaro já é réu em outra ação que trata da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, com julgamento marcado para o dia 2 de setembro.
Nesta semana, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente se manifeste em até 48 horas sobre supostos descumprimentos de medidas cautelares, risco de reiteração de condutas ilícitas e possibilidade de fuga do país. Após a resposta, a PGR também terá prazo para se posicionar.
Silas Malafaia: medidas cautelares e investigações em andamento
A situação do pastor Silas Malafaia é diferente. Embora alvo de operação da PF, ele ainda não foi indiciado. Nesta quarta-feira, agentes realizaram busca e apreensão no Aeroporto do Galeão (RJ), recolheram o celular e o passaporte do líder religioso e o levaram para depoimento, no qual preferiu ficar em silêncio.
Segundo investigadores, a PF ainda pretende ouvi-lo novamente. Caso surjam novas provas, Malafaia pode ser indiciado em relatório complementar. Por ora, ele permanece submetido a medidas cautelares determinadas por Moraes, como a proibição de deixar o país.
Outro investigado é o blogueiro Paulo Figueiredo, apontado como colaborador de Eduardo Bolsonaro em ações nos Estados Unidos. Assim como Malafaia, ele não foi formalmente acusado até o momento.
O que revelam as mensagens recuperadas
De acordo com a PF, mensagens apagadas e recuperadas dos celulares de Bolsonaro mostram tentativas de obstrução às investigações e articulações políticas paralelas. Entre os pontos levantados estão:
- Pedido de asilo político na Argentina: Bolsonaro chegou a rascunhar carta ao presidente Javier Milei alegando perseguição política.
- Anistia restrita: discussões sobre um eventual projeto de anistia que beneficiaria apenas Bolsonaro.
- Articulação nos EUA: Eduardo Bolsonaro buscava apoio político e jurídico no exterior.
- Descumprimento de medidas cautelares: conversas mostram contatos que contrariavam ordens do STF.
- Malafaia como aliado: o pastor aparece em mensagens como figura central na mobilização em defesa do ex-presidente.
- Contato com militares e políticos: comunicações com nomes como Walter Braga Netto, apesar de proibição judicial.
- Operação financeira: movimentações envolvendo contas bancárias de esposas de investigados também estão sob análise.
- Estratégia de mídia: uso de transmissões em aplicativos e contatos com plataformas como o Rumble para manter a narrativa política ativa.
Reações dos investigados
Após sair da PF no aeroporto do Rio de Janeiro, Malafaia afirmou que só se calará se for preso:
— “Eu que sou o criminoso? Isso é uma vergonha. Que democracia é essa? Eu não vou me calar. Vai ter que me prender pra me calar”, disse o pastor.
Em nota publicada no X (antigo Twitter), Eduardo Bolsonaro classificou como “lamentável e vergonhoso” o uso de conversas privadas pela PF e disse que sua atuação nos Estados Unidos não interferiu em processos no Brasil.
Já Jair Bolsonaro mantém silêncio público sobre o caso, concentrando sua defesa nas manifestações enviadas ao STF.
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Da redação do Agenda Capital






