Com a fusão do PP e União Brasil, Centrão cresce ainda mais no país. Foto: Reprodução.

A união entre PP e União Brasil na nova federação pode potencializar essa pressão, já que as duas legendas, juntas, somam uma bancada significativa de 109 deputados federais e 15 senadores

Por Delmo Menezes

Quase dois anos após uma reforma ministerial cuidadosamente orquestrada para atrair partidos de centro, a base de apoio do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso está se desintegrando. Segundo reportagem da CNN, essa desidratação da aliança, que envolve partidos como o PP, Republicanos e União Brasil, é um reflexo das movimentações políticas já de olho nas eleições de 2026.

Os sinais de fragilidade se tornaram mais evidentes recentemente. A criação da Federação União Progressista (UPb), que une o União Brasil e o PP, e a reviravolta no comando da CPMI do INSS, foram vistos como demonstrações claras de afastamento do Planalto. Juntas, essas siglas controlam cinco ministérios, mas a lealdade deles tem sido colocada em xeque.

Um acordo que nunca garantiu a estabilidade

A reforma ministerial de 2023, que durou semanas, trouxe André Fufuca (PP-MA) e Silvio Costa Filho (Republicanos-PE) para os ministérios do Esporte e dos Portos e Aeroportos, respectivamente. O objetivo era claro: ampliar a base governista para aprovar pautas prioritárias. No entanto, o acordo nunca se traduziu em uma base de apoio sólida e estável, deixando o governo em uma posição de constante negociação.

Agora, com o cenário eleitoral de 2026 se aproximando, as alianças estão cada vez mais abaladas. O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), que é aliado de Jair Bolsonaro (PL), tem sido um dos defensores mais enfáticos do rompimento. “Nós iremos desembarcar desse governo o mais rápido possível”, afirmou ele, sinalizando que a maioria de seu partido deseja sair da Esplanada. A união entre PP e União Brasil na nova federação pode potencializar essa pressão, já que as duas legendas, juntas, somam uma bancada significativa de 109 deputados federais e 15 senadores, formando uma “superfederação” com cerca de 20% do Congresso, se a fusão for homologada pelo TSE.

Olhos em 2026: a corrida presidencial e a CPMI do INSS

Enquanto as articulações para o desembarque do governo ganham força, nomes de partidos de centro e centro-direita já se posicionam para a disputa presidencial. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), já lançou sua pré-candidatura, enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como um forte candidato para herdar votos do eleitorado de Bolsonaro.

A derrota do governo na escolha do comando da CPMI do INSS reforçou a impressão de que a articulação política do governo é frágil. Lideranças do União Brasil se uniram à oposição para garantir que o senador Carlos Viana (Podemos-MG) assumisse a presidência da comissão no lugar do indicado do governo, Omar Aziz (PSD-AM). O resultado foi uma reviravolta que culminou na substituição do relator, evidenciando uma falha na articulação, algo que o próprio governo reconheceu e que tem sido uma crítica constante do centrão desde o início da gestão.

Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas, diz: “Tô só observando…..”

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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