Vitória convence, mas não empolga. Brasil cresce na Copa e aguarda retorno de Neymar na quarta-feira (24/6), às 19h contra a Escócia.
Por Delmo Menezes
A Seleção Brasileira conquistou sua primeira vitória na Copa do Mundo de 2026 ao derrotar o Haiti por 3 a 0, na noite desta sexta-feira (19/6), em Filadélfia. O resultado alivia a pressão após o empate na estreia contra Marrocos, traz mais confiança ao grupo comandado por Carlo Ancelotti e, de quebra, veio acompanhado de uma notícia aguardada pelos torcedores: Neymar deverá fazer sua estreia no Mundial na próxima quarta-feira (24/6), diante da Escócia.
Embora o placar tenha sido confortável, a atuação brasileira ainda esteve longe de empolgar. Afinal, o adversário apresentou poucas dificuldades e confirmou sua condição de uma das seleções mais frágeis da competição. Ainda assim, o Brasil exibiu sinais claros de evolução coletiva em comparação ao desempenho da estreia.
Mudanças táticas deram resultado
Ancelotti promoveu alterações importantes na equipe. Além das entradas de Danilo e Matheus Cunha nas vagas de Ibañez e Igor Thiago, o treinador italiano fez ajustes táticos que deram maior fluidez ao setor ofensivo.
Bruno Guimarães atuou mais avançado, próximo de Lucas Paquetá, enquanto Matheus Cunha desempenhou uma função híbrida, atuando como um “camisa 9,5”. O atacante alternou movimentos entre a armação das jogadas e a presença dentro da área, aproximando-se de Vini Jr. e Raphinha.
A nova configuração permitiu que a Seleção recuperasse bolas em zonas mais avançadas do campo. Não por acaso, os dois primeiros gols surgiram justamente após roubadas de bola no meio-campo, protagonizadas por Cunha e Paquetá.
As rápidas transições ofensivas seguem sendo uma das principais características da equipe sob o comando de Ancelotti.

Defesa volta a passar ilesa
Outro ponto positivo foi o comportamento defensivo. Com Casemiro atuando como um verdadeiro escudo à frente da zaga, o Brasil mostrou mais equilíbrio e cometeu menos erros na saída de bola.
É verdade que o Haiti exigiu pouco do sistema defensivo brasileiro, mas a equipe encerrou uma partida sem sofrer gols pela primeira vez após seis jogos consecutivos sendo vazada.
Quando foi exigido, o goleiro Alisson respondeu com segurança, especialmente em alguns momentos do segundo tempo, quando a equipe diminuiu o ritmo e permitiu algumas chegadas do adversário.
Nas laterais, um setor que vinha sendo alvo de críticas, também houve evolução. Douglas Santos voltou a ter boa atuação pelo lado esquerdo, enquanto Danilo ofereceu mais qualidade na construção das jogadas pelo lado direito.
Brasil poderia ter ampliado
A superioridade brasileira foi evidente durante a maior parte da partida. As movimentações de Vini Jr. e Raphinha criaram inúmeras dificuldades para a defesa haitiana.
O placar poderia ter sido ainda mais elástico não fossem alguns impedimentos e falhas nas finalizações. Martinelli chegou a acertar o travessão e Endrick balançou as redes na etapa final, mas ambos os lances foram anulados.
A queda de intensidade após o intervalo foi um dos poucos aspectos negativos da atuação. Com a vantagem construída, o Brasil administrou mais o jogo e deixou escapar a oportunidade de construir um saldo de gols maior, fator que poderá ser importante na disputa pela liderança do Grupo C.
Ancelotti elogia evolução emocional da equipe
Após a partida, Carlo Ancelotti destacou a melhora da Seleção não apenas tecnicamente, mas também no aspecto emocional.
O treinador voltou a mencionar a ansiedade apresentada pelos jogadores na estreia contra Marrocos e ressaltou o trabalho desenvolvido pela psicóloga Marisa Santiago junto ao elenco.
“Marisa está trabalhando muito bem com a gente. Hoje a equipe estava mais tranquila, focada no jogo, com mais tranquilidade na jogada. Perdemos poucas bolas e a equipe jogou bem em nível coletivo”, afirmou.
Segundo o treinador, a evolução apresentada contra o Haiti era exatamente o que ele esperava.

“Melhoramos a qualidade do jogo, cometemos menos erros e fomos mais efetivos no ataque. Defensivamente também foi um bom jogo. Ainda temos que melhorar, mas estamos no caminho certo”, avaliou.
Neymar será a grande novidade contra a Escócia
A principal notícia da entrevista coletiva foi a confirmação do retorno de Neymar.
Recuperado de lesão, o camisa 10 iniciará os trabalhos com o restante do elenco nos próximos dias e deverá fazer sua estreia na Copa do Mundo diante da Escócia.
“Sim, Neymar vai treinar amanhã individualmente. Na segunda-feira estará com a equipe e depois vai estar preparado para o jogo contra a Escócia”, revelou Ancelotti.
A expectativa é que a presença do craque aumente significativamente o poder criativo da equipe justamente no momento em que o Brasil busca assegurar uma posição favorável para o mata-mata.
Preocupação com Raphinha
Se Neymar está voltando, a comissão técnica acompanha com atenção a situação de Raphinha, que deixou a partida sentindo um problema físico.
Ancelotti afirmou que ainda não há diagnóstico definitivo sobre a condição do atacante.
“Vamos avaliar amanhã. Agora não sabemos exatamente o que aconteceu”, explicou.
O treinador também justificou a entrada do jovem Rayan durante a partida.
“Ele mostrou boa qualidade e tem características diferentes das de Raphinha. São pequenos detalhes que determinam a escolha de um jogador ou outro”, disse.
Escócia será o último desafio da fase de grupos
O Brasil encerra sua participação na fase de grupos na próxima quarta-feira (24/6), diante da Escócia, em Miami.
Apesar da disputa pela liderança da chave com Marrocos, Ancelotti garantiu que não fará cálculos antecipados.
“O time que vai entrar em campo será aquele que eu acredito que possa vencer o jogo. Depois veremos os resultados e a classificação”, afirmou.
Com quatro pontos conquistados em dois jogos, a Seleção chega à rodada decisiva em situação confortável. Mais do que confirmar a classificação, o duelo marcará o aguardado retorno de Neymar e servirá como mais um teste para medir a evolução da equipe antes do início da fase eliminatória da Copa do Mundo.
A vitória sobre o Haiti mostrou que o Brasil começa a assimilar as ideias de Carlo Ancelotti. Ainda não foi uma atuação capaz de empolgar os torcedores, mas foi suficiente para reduzir a pressão, recuperar a confiança e abrir caminho para um reencontro aguardado: Neymar está de volta ao Mundial.
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Da Redação do Agenda Capital





