Daniel Vorcaro Foto: Reprodução

Nas condições atuais, há risco de a delação não ser homologada

Por Redação

A proposta de delação premiada apresentada pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, gerou frustração entre investigadores da Polícia Federal (PF). Segundo fontes ligadas ao caso, o material entregue pela defesa é considerado fraco, inconsistente e incapaz de contribuir de forma efetiva para o avanço das investigações.

A colaboração trata de um suposto megaesquema que teria causado prejuízos bilionários ao sistema financeiro, além da criação de uma rede de pagamento de propinas a autoridades. No entanto, a avaliação interna é de que Vorcaro estaria omitindo informações relevantes e protegendo nomes do alto escalão.

De acordo com relatos obtidos sob condição de anonimato, os depoimentos não trazem elementos novos nem citam figuras centrais que já aparecem em provas coletadas pela investigação. “A delação está fraca, sem nomes importantes. Do jeito que está, não ajuda”, afirmou uma das fontes.

Material ainda será analisado oficialmente

Apesar das críticas, a proposta ainda não foi formalmente protocolada. Trechos do conteúdo, contudo, já circulam entre investigadores. A expectativa é que a defesa apresente oficialmente os depoimentos e anexos nos próximos dias, quando terá início a análise formal por parte da PF e do Ministério Público.

Nas condições atuais, há risco de a delação não ser homologada, já que acordos desse tipo exigem consistência, detalhamento e efetiva contribuição para elucidar os fatos.

Provas indicam mais do que foi revelado

As investigações ganharam força a partir de materiais apreendidos na Operação Compliance Zero, que recolheu oito celulares ligados ao empresário. Mensagens extraídas de pelo menos dois desses aparelhos apontariam a participação de autoridades com foro privilegiado.

Segundo fontes, as declarações prestadas até o momento por Vorcaro não contemplam integralmente o conteúdo dessas provas nem mencionam todos os envolvidos já identificados pela perícia.

Expectativa por novos desdobramentos

O caso segue sob sigilo, e a expectativa entre investigadores é de que a defesa do empresário complemente as informações antes da avaliação final. Sem isso, a colaboração pode ser rejeitada, o que reduziria as chances de avanço rápido nas apurações sobre o suposto esquema.

A condução do processo agora depende da formalização do acordo e da análise conjunta da Polícia Federal e do Ministério Público, que irão decidir se os elementos apresentados atendem aos critérios legais para validação da delação.

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Da Redação do Agenda Capital

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