Especialistas alertam que o exercício pode fortalecer a musculatura e ajudar no controle dos sintomas, mas a execução precisa ser adequada à causa da dor
Por Redação
A dor no joelho é uma das queixas mais comuns entre pessoas que praticam exercícios físicos. E, quando o problema aparece, uma dúvida costuma surgir: é preciso abandonar o agachamento ou o exercício pode continuar fazendo parte da rotina?
A resposta depende da causa da dor, da intensidade dos sintomas e, principalmente, da maneira como o movimento é realizado. Em muitos casos, o agachamento pode ser utilizado para fortalecer os músculos que dão suporte ao joelho e contribuir para a recuperação da força e da função da perna. Em outras situações, porém, o exercício precisa ser adaptado ou temporariamente suspenso.
O agachamento é um exercício de cadeia cinética fechada, realizado com os pés apoiados no chão. O movimento envolve simultaneamente joelhos, quadris e tornozelos, recrutando músculos como quadríceps, glúteos, posteriores da coxa e panturrilhas.
Essa participação conjunta ajuda a distribuir as cargas durante o movimento. Com o fortalecimento, a musculatura passa a contribuir de maneira mais eficiente para a absorção e distribuição das forças, o que pode melhorar a capacidade para atividades cotidianas, como caminhar, levantar-se de uma cadeira e subir ou descer escadas.
Fortalecimento pode fazer parte do tratamento
Em determinados quadros de dor no joelho, o fortalecimento muscular pode ser uma das estratégias utilizadas para melhorar os sintomas e a função.
Problemas relacionados à articulação patelofemoral, por exemplo, podem se beneficiar de programas de exercícios que trabalhem a musculatura da coxa e do quadril. O objetivo não é simplesmente “fortalecer o joelho”, mas melhorar a capacidade de toda a região para lidar com as cargas do dia a dia.
Isso não significa, entretanto, que quanto mais exercício, melhor.
Em situações como alguns quadros de tendinopatia patelar em fase aguda, a carga precisa ser controlada e o exercício pode necessitar de adaptação até que os sintomas estejam sob controle.
Por isso, insistir em um movimento que provoca dor importante não é uma estratégia adequada.
Não consegue agachar? Comece mais fácil
Quem sente dor ao realizar o agachamento não precisa necessariamente abandonar todos os exercícios para as pernas.
O primeiro passo é descobrir a origem do problema. A avaliação de um profissional de saúde pode determinar se existe alguma lesão ou alteração que exige cuidados específicos.
Também é possível começar por movimentos mais simples. Sentar e levantar de uma cadeira, por exemplo, permite trabalhar músculos semelhantes aos utilizados no agachamento, mas com uma dificuldade que pode ser mais facilmente controlada.
Outra possibilidade, dependendo da avaliação individual, são exercícios isométricos, nos quais a posição é mantida por determinado período.
A progressão deve ocorrer de acordo com a capacidade de cada pessoa. Inicialmente, pode-se trabalhar sem carga adicional e, posteriormente, aumentar gradualmente a dificuldade.
Técnica errada pode aumentar a sobrecarga
A execução correta é especialmente importante para quem já apresenta algum desconforto.
Um dos erros comuns é arredondar excessivamente a região lombar durante o movimento. Isso pode modificar a distribuição das cargas e aumentar a exigência sobre a coluna.
Outro erro é deixar os joelhos perderem o controle do alinhamento durante a descida. O movimento deve ser realizado de maneira controlada, respeitando as características individuais e sem provocar dor significativa.
Também é importante manter os pés adequadamente apoiados. A retirada dos calcanhares do chão pode modificar a execução e a distribuição das cargas.
Uma estratégia simples para quem está aprendendo é observar o movimento diante de um espelho ou buscar orientação profissional.
Joelho pode ultrapassar a ponta do pé?
Durante muito tempo, tornou-se comum a recomendação de que os joelhos nunca deveriam ultrapassar a ponta dos pés durante o agachamento.
Essa orientação, porém, não deve ser tratada como uma regra absoluta.
Dependendo da anatomia da pessoa, da técnica utilizada e da amplitude do movimento, os joelhos podem avançar em relação aos pés. Tentar impedir completamente esse deslocamento pode aumentar a exigência sobre outras articulações.
O mais importante é que o movimento seja controlado, adequado à pessoa e compatível com sua capacidade física.
Quando é melhor interromper?
A presença de dor exige atenção, principalmente quando o sintoma é intenso ou acompanhado de outros sinais.
Se o exercício provocar dor forte, aumento significativo dos sintomas ou inchaço no joelho após o treino, a atividade deve ser interrompida e o problema deve ser avaliado.
Também não é recomendável aumentar carga ou profundidade do agachamento simplesmente para superar a dor.
A progressão deve acontecer quando a pessoa consegue realizar o movimento com controle e dentro de uma amplitude compatível com sua condição.
Agachamento não é vilão do joelho
A ideia de que o agachamento necessariamente “desgasta” ou prejudica os joelhos não corresponde à realidade de todas as pessoas.
Quando bem indicado e executado, o exercício pode ser uma ferramenta importante para desenvolver força e melhorar a função dos membros inferiores.
O problema está em ignorar a dor, utilizar uma carga incompatível com a capacidade individual ou executar o movimento de maneira inadequada.
Assim, quem apresenta dor no joelho não deve simplesmente decidir sozinho entre continuar ou abandonar o exercício. A melhor conduta depende da causa dos sintomas e da avaliação individual.
A regra é respeitar os limites
O agachamento pode ser um excelente exercício para fortalecer pernas e glúteos, melhorar movimentos do cotidiano e contribuir para a recuperação funcional. Mas ele precisa fazer parte de uma estratégia adequada para cada pessoa.
Dor persistente, inchaço, limitação de movimento ou piora dos sintomas merecem avaliação profissional.
Mais importante do que saber se o agachamento é “bom” ou “ruim” para o joelho é entender qual exercício, qual carga, qual amplitude e qual progressão são adequados para cada caso.
Com orientação e progressão adequada, o fortalecimento pode deixar de ser um problema e passar a ser parte da solução.
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Da Redação do Agenda Capital





