
Confrontos marcam conferência do AfD em data ligada ao passado nazista da Alemanha
Por Redação
A polícia de choque alemã entrou em confronto com manifestantes que tentavam impedir a realização de uma conferência do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD).
Milhares de policiais foram mobilizados em Erfurt, no centro da Alemanha, para garantir a segurança do evento, realizado em uma data considerada simbólica por coincidir com o centenário de um importante congresso do Partido Nazista.
A polícia de choque enfrentou opositores do AfD nas ruas de Erfurt, onde milhares de pessoas se reuniram para bloquear vias de acesso e impedir que os delegados participassem da conferência nacional bienal do partido, destinada à eleição de sua liderança.
Segundo a polícia, cerca de 20 mil manifestantes participaram dos protestos na cidade do leste alemão, onde Alice Weidel e Tino Chrupalla devem ser reconduzidos aos cargos de co-líderes da legenda. A conferência ocorre às vésperas de eleições regionais decisivas, nas quais o AfD poderá assumir o poder em um estado alemão pela primeira vez.
Os manifestantes, liderados pela aliança “Resistência”, promoveram bloqueios em diversos pontos do centro da cidade para impedir que aproximadamente 600 delegados chegassem ao local do evento. Alguns desceram de rapel de uma ponte sobre uma rodovia, enquanto outros se acorrentaram aos trilhos do bonde para interromper o transporte público.

Milhares de policiais foram deslocados para Erfurt. Imagens registraram agentes utilizando cassetetes para conter manifestantes que avançavam em direção ao cordão de isolamento, enquanto outros policiais tentavam controlar grandes aglomerações.
Apesar dos confrontos, um porta-voz da polícia afirmou ao jornal Die Zeit que a manifestação foi “predominantemente pacífica”. Segundo ele, pouco menos de 100 ocorrências haviam sido registradas até aquele momento, a maioria relacionada a atos de vandalismo, como pichações.
Mesmo diante das tentativas de bloquear o evento, um porta-voz do AfD informou que 540 delegados conseguiram chegar ao centro de convenções antes das 5h da manhã e que o congresso começou no horário previsto.
A decisão do AfD de realizar sua conferência no centenário de um congresso do Partido Nazista, ocorrido na cidade vizinha de Weimar — onde Adolf Hitler apresentou oficialmente o movimento Juventude Hitlerista e introduziu a saudação nazista — provocou forte indignação na Alemanha.
Historiadores e políticos afirmam que a escolha da data representa uma provocação deliberada. O AfD, por sua vez, negou qualquer intenção simbólica e acusou seus críticos de estarem “interessados apenas na instrumentalização compulsiva da história”.
Os opositores do partido acusam o AfD de promover políticas racistas e anti-imigração, além de discursos considerados anti-muçulmanos. Também criticam declarações de integrantes da legenda que, segundo eles, minimizam os crimes cometidos pelo regime nazista.
Entre os participantes dos protestos estavam o ministro federal do Meio Ambiente, Carsten Schneider, e o ministro do Interior do estado da Turíngia, Georg Maier. Ambos participaram de uma segunda marcha organizada pela aliança Standing Together, na qual integrantes do movimento “Avós Contra a Direita” exibiam cartazes confeccionados à mão.
“É importante enviar um sinal contra a guinada à direita”, afirmou a manifestante Lene Krug, de 19 anos, moradora de Gera, cidade localizada a leste de Erfurt, em declaração à agência Agence France-Presse (AFP). “O AfD é um partido antidemocrático que espalha ódio.”
Outro manifestante, integrante do grupo que se acorrentou aos trilhos do bonde em uma praça da cidade, declarou à AFP: “O período de 1933 a 1945 jamais deve se repetir”, em referência aos anos em que o regime nazista esteve no poder.
Ella, de 44 anos, que preferiu divulgar apenas o primeiro nome, acrescentou: “Os partidos democráticos precisam entender que devem impor uma proibição ao AfD.”
Em seu discurso de abertura, Tino Chrupalla acusou os manifestantes de protestarem “contra a tomada de decisões democráticas”. Segundo ele, “eles acreditam que têm o monopólio da democracia. A esses manifestantes eu digo: esta democracia é tão nossa quanto é de vocês”.
Ainda de acordo com Chrupalla, a realização de conferências partidárias é “um direito garantido”. Citado pelo Die Zeit, ele afirmou: “Esses agitadores são a última linha de defesa dos nossos adversários políticos.”
Na sequência, conclamou os apoiadores a ajudarem o AfD a conquistar maioria absoluta nas próximas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt. “Isso enviaria o sinal certo para aqueles que odeiam a democracia e querem impedir nossa conferência partidária”, declarou.
Ao elogiar sua parceria com Alice Weidel, Chrupalla afirmou que ambos formam “uma dupla de sucesso como a política alemã raramente viu” e concluiu: “Defendemos a união, não a divisão.”
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Da Redação com informação do The Guardian e Agências Internacionais





