O presidente dos EUA Donald Trump. Reprodução.

Presidente dos EUA afirma que acordo representa “um grande dia para o mundo”; Hamas e Israel confirmam troca de prisioneiros e recuo de tropas na Faixa de Gaza

Por Delmo Menezes

Em um anúncio histórico feito na noite desta quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que Israel e o Hamas chegaram a um acordo de cessar-fogo, encerrando — ao menos temporariamente — um dos mais longos e sangrentos conflitos do Oriente Médio nas últimas décadas. O acordo, mediado pelo Egito, Catar e Turquia com apoio direto da Casa Branca, prevê a libertação imediata de todos os reféns mantidos pelo grupo palestino, além da troca de prisioneiros e da retirada parcial das tropas israelenses da Faixa de Gaza.

Trump anunciou o pacto em uma publicação em sua rede social e o descreveu como “um grande dia para o mundo”. Em entrevista à agência Reuters, o presidente norte-americano reforçou a importância do acordo.

“O mundo inteiro se uniu nisso — Israel, todos os países se uniram. Este foi um dia fantástico”, declarou Trump. “Este é um grande dia para o mundo árabe e muçulmano, para Israel, para todas as nações vizinhas e para os Estados Unidos da América”, disse Trump.

Os termos do acordo

Segundo o Ministério das Relações Exteriores do Catar, a primeira fase do plano de Gaza inclui todas as disposições e mecanismos necessários para a implementação do cessar-fogo. Entre os principais pontos estão:

  • Libertação de todos os reféns em poder do Hamas, estimados em 48 pessoas;
  • Troca de prisioneiros palestinos detidos por Israel;
  • Recuo das tropas israelenses para uma linha acordada dentro da Faixa de Gaza;
  • Entrada de ajuda humanitária em larga escala no território palestino;
  • Início da libertação dos reféns em até 72 horas após a aprovação formal do acordo.

Um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o gabinete israelense deverá votar o acordo nesta quinta-feira (9). Se aprovado, Israel começará o recuo militar em menos de 24 horas, abrindo caminho para a libertação dos reféns já na segunda-feira.

A guerra entre Israel e Hamas completou dois anos com milhares de pessoas que perderam sua vidas. Foto: Reprodução.

Reações internacionais e locais

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, celebrou o acordo e destacou a importância da libertação dos reféns.

“Um grande dia para Israel”, publicou Netanyahu em uma rede social. “A libertação dos nossos reféns é prioridade absoluta. Amanhã discutiremos a implementação deste importante passo rumo à paz”, afirmou netanyahu.”

Em nota, o Hamas elogiou o papel de Catar, Egito e Turquia na mediação e agradeceu os esforços de Trump para encerrar o conflito. O grupo, no entanto, pediu que os países garantidores do tratado assegurem que Israel cumpra integralmente o que foi acordado.

“Os sacrifícios do nosso povo não serão em vão. Permaneceremos fiéis à nossa promessa até alcançar liberdade, independência e autodeterminação”, declarou o movimento islâmico.

A Fundação Humanitária de Gaza, apoiada pelos Estados Unidos, também comemorou o avanço.

“O anúncio de hoje do tão aguardado acordo de paz em Gaza é uma notícia bem-vinda. Esperamos que isso crie condições que permitam atender às necessidades de todos os moradores de Gaza”, informou a entidade em comunicado.

Famílias de reféns celebram, mas pedem rapidez

O Fórum de Famílias de Reféns, que representa parentes dos israelenses sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, recebeu a notícia com “entusiasmo, expectativa e preocupação”.

“Este é um progresso importante para trazer todos os reféns para casa — os vivos para reabilitação com suas famílias e os falecidos para um enterro digno. Mas nossa luta não acabou até que o último refém volte para casa”, diz o comunicado.

O grupo apelou ao governo israelense para aprovar o acordo “sem demora”, alertando que qualquer atraso “pode custar caro aos reféns e soldados”.

Fim de uma guerra devastadora

O conflito entre Israel e o Hamas começou em 7 de outubro de 2023, quando militantes do grupo palestino lançaram um ataque surpresa que matou mais de 1.200 israelenses e resultou no sequestro de 251 pessoas. Desde então, as ofensivas israelenses deixaram mais de 60 mil mortos em Gaza, segundo autoridades locais ligadas ao Hamas.

Dois cessar-fogos anteriores — um no fim de 2023 e outro no início de 2024 — duraram apenas alguns dias e não resultaram em avanços significativos. A expectativa agora é que este novo acordo, descrito por Trump como “o primeiro passo em direção a uma paz duradoura”, possa finalmente abrir caminho para uma solução diplomática definitiva.

“Agradecemos a todos que trabalharam incansavelmente por este dia histórico”, disse Trump. “Todas as partes serão tratadas com justiça. Este é o início de um novo capítulo — não apenas para o Oriente Médio, mas para todo o mundo.”

A guerra entre Israel e o Hamas, que já dura dois anos e provocou uma das maiores crises humanitárias deste século, com milhões de deslocados, destruição em larga escala e crescente pressão internacional por uma solução de paz. O novo acordo, mediado com forte protagonismo dos Estados Unidos e de países árabes, marca um raro momento de convergência diplomática entre nações historicamente divididas sobre o conflito.

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Da Redação do Agenda Capital e Agências Internacionais

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