
É hora de despertar. Gaza está morrendo — e o mundo tem responsabilidade.
Por Delmo Menezes
A Faixa de Gaza vive atualmente uma das piores crises humanitárias de sua história. Em meio à guerra entre Israel e o Hamas, iniciada em outubro de 2023, a população civil — especialmente crianças — enfrenta níveis catastróficos de fome, sede, desnutrição e abandono, sob o que muitos já classificam como um genocídio silencioso.
A imagem que chocou o mundo
Uma fotografia tirada em 21 de julho de 2025 pelo fotógrafo palestino Ahmed al-Arini resume o desespero: o pequeno Mohamed Zakariya Ayyoub al-Matouq, de apenas 1 ano e meio, aparece com os ossos à mostra, coberto apenas por um saco plástico improvisado como fralda. O bebê sofre de desnutrição grave, condição que já o impede de sentar ou se levantar. Sua mãe, Hedaya al-Muta, viúva da guerra, luta sozinha para conseguir um pouco de leite para alimentá-lo: “Estou tão cansada, tão cansada”, desabafa.

Um povo inteiro definhando
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 122 pessoas — incluindo 83 crianças — já morreram de desnutrição desde o início do conflito. O hospital al-Shifa relata um aumento alarmante de casos de desnutrição em todas as idades, e Médicos Sem Fronteiras denuncia “níveis catastróficos” de sofrimento nutricional. Na Cidade de Gaza, uma em cada cinco crianças já está desnutrida.
A fome, que antes atingia apenas os mais vulneráveis, agora alcança também adultos e profissionais da imprensa. O próprio fotógrafo Ahmed afirma que seus sobrinhos choram pedindo pão, que não há comida, e que ele mesmo sente tonturas e sede durante o trabalho: “Todos estamos sofrendo. Caminho para tirar fotos e perco o equilíbrio de tanta fome.”

Ajuda insuficiente e bloqueio prolongado
Mais de 6 mil caminhões de ajuda humanitária aguardam autorização para entrar em Gaza. Israel afirma que permite a entrada de suprimentos, mas a ONU denuncia que a distribuição é irregular e insuficiente, agravada pelas restrições de acesso. O cerco israelense impede a entrada fluida de comida, medicamentos e combustível.
Israel acusa o Hamas de confiscar ajuda e usa isso como justificativa para as restrições. Por outro lado, organizações internacionais apontam que Israel, ao controlar todas as fronteiras de Gaza, é diretamente responsável pela tragédia. A escassez de produtos básicos levou ao surgimento de um mercado negro, onde um quilo de farinha custa até 16 dólares.
Impacto devastador nos corpos
De acordo com especialistas da BBC, a fome prolongada causa falência do sistema imunológico, deixando vítimas vulneráveis a doenças simples. Crianças desnutridas sofrem atraso no desenvolvimento, curvatura da coluna, hipotonia e inchaço de órgãos — uma condição chamada Kwashiorkor. Em Gaza, casos como o de Mohamed se multiplicam diariamente.
Ajuda aérea e a pressão internacional
Diante da catástrofe, Jordânia e Emirados Árabes Unidos devem retomar lançamentos aéreos de suprimentos nos próximos dias. No entanto, esse tipo de entrega tem se mostrado perigoso e ineficaz — suprimentos já caíram no mar ou feriram pessoas ao falhar o paraquedas.

Enquanto isso, Reino Unido, França e Alemanha divulgaram uma nota conjunta exigindo um cessar-fogo imediato e cobrando de Israel o cumprimento do Direito Internacional Humanitário. O presidente francês Emmanuel Macron anunciou que reconhecerá oficialmente o Estado Palestino, afirmando que “não há alternativa”.
“Estamos vendo um genocídio em tempo real”
O cerco, a fome e a destruição em massa estão levando parte da comunidade internacional a qualificar a situação como um genocídio, já que a privação sistemática de alimentos, água e medicamentos afeta deliberadamente a população civil. Organizações de direitos humanos relatam que mais de 766 pessoas já morreram próximas aos centros de ajuda humanitária — alvos constantes de bombardeios.
Um ex-funcionário da Fundação Humanitária de Gaza (GHF), grupo apoiado por Israel e EUA, afirmou à BBC ter presenciado crimes de guerra, apontando falhas graves na gestão da ajuda.

A Faixa de Gaza vive uma calamidade humanitária sem precedentes. A cada dia, centenas de pessoas morrem silenciosamente por fome, sede ou doenças evitáveis. O mundo assiste, em grande parte inerte, a uma tragédia que não pode mais ser ignorada. A situação exige ação imediata da comunidade internacional, tanto para garantir a entrada segura e eficaz de ajuda humanitária quanto para pôr fim aos ataques e ao bloqueio que já causaram mais destruição do que se pode suportar.
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Da Redação do Agenda Capital com Agências Internacionais (BBC/Reuters/The Guardian/CNN)





