Daniel Vorcaro Foto: Reprodução

Banqueiro tenta ampliar colaboração após rejeição da primeira proposta; investigadores seguem céticos quanto ao conteúdo apresentado

Por Redação

BRASÍLIA – A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, apresentou uma nova proposta de acordo de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). A iniciativa ocorre cerca de duas semanas após a primeira tentativa de colaboração ter sido rejeitada pelos investigadores por ser considerada insuficiente.

De acordo com informações divulgadas inicialmente pela TV Globo e confirmadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, os advogados de Vorcaro entregaram a nova proposta durante uma reunião realizada na última segunda-feira (1º) com representantes da PF e da PGR. O objetivo é ampliar o escopo das informações oferecidas e aumentar as chances de aceitação do acordo.

Segundo fontes ligadas às negociações, o banqueiro incluiu novos temas na tentativa de tornar a colaboração mais relevante para as investigações em andamento. Apesar disso, investigadores ainda mantêm reservas quanto à efetividade da proposta.

A principal resistência apontada pelas autoridades decorre do fato de que a primeira versão da delação teria omitido informações consideradas relevantes e já identificadas pelos investigadores em materiais apreendidos, incluindo dados extraídos do telefone celular de Vorcaro. Entre os pontos citados está a suspeita de pagamentos mensais de R$ 300 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), fato que ainda é objeto de apuração.

Conforme revelado anteriormente pelo Estadão, Vorcaro vinha resistindo a endurecer o conteúdo de sua colaboração. Aos seus advogados, ele teria alegado que eventuais pagamentos realizados a políticos ocorreram em razão de relações de amizade, e não como parte de práticas ilícitas.

Outro aspecto que chama atenção dos investigadores envolve vínculos financeiros do banqueiro com pessoas próximas a integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os fatos analisados está a aquisição de cotas de um resort de luxo no interior do Paraná por um fundo ligado ao Banco Master, negócio que envolveu uma empresa da família do ministro Alexandre Dias Toffoli. Também é investigado um contrato de prestação de serviços firmado entre o banco e a advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Enquanto a Polícia Federal demonstrava posição favorável à rejeição da primeira proposta, a equipe do procurador-geral da República, Paulo Gonet, sinalizou disposição para avaliar uma versão complementada da colaboração. Diante da nova documentação apresentada, a PF também decidiu reexaminar o material.

Daniel Vorcaro está preso desde o início de março por determinação do ministro do STF André Mendonça. Ele é investigado por suposta obstrução de investigações, mediante contratação de influenciadores digitais para atacar adversários e pela suspeita de manter uma milícia armada com o objetivo de intimidar pessoas e obter informações sigilosas relacionadas a investigações em curso.

As investigações também alcançaram familiares do banqueiro. No mês passado, seu pai, Henrique Vorcaro, foi preso sob suspeita de realizar pagamentos a integrantes do grupo investigado.

A nova proposta de delação será analisada pelas autoridades responsáveis, que decidirão se o conteúdo apresentado atende aos requisitos legais para a celebração de um acordo de colaboração premiada.

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Da Redação do Agenda Capital

Delmo Menezes
Gestor público, jornalista, secretário executivo, teólogo e especialista em relações institucionais com experiência em diversos órgãos da administração direta e indireta. Analista político e observador atento da política local e nacional. Editor-Chefe do portal de notícias Agenda Capital.

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