Pessoas com histórico de problemas de saúde em relação as apostas online, poderão ser atendidas pelo SUS. Reprodução

Serviço oferece atendimento remoto, sigiloso e acompanhamento profissional pelo Meu SUS Digital

Por Delmo Menezes

O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou para até 100 mil teleatendimentos mensais a oferta de atendimento a pessoas que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas online. A expansão começa nesta terça-feira (4) e foi adotada pelo Ministério da Saúde diante do aumento da procura pelo serviço.

A iniciativa começou a funcionar em março, inicialmente com uma média de aproximadamente 600 teleatendimentos por mês. Com o crescimento da demanda, a capacidade foi ampliada para alcançar até 100 mil atendimentos mensais.

O serviço é disponibilizado por meio do Meu SUS Digital, em parceria com o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). A plataforma oficial do Ministério da Saúde reúne serviços e informações de saúde e pode ser acessada pelo aplicativo ou pela versão web, mediante login pela conta Gov.br.

Atendimento remoto é porta de entrada para a rede de saúde

A proposta é oferecer um primeiro atendimento de forma remota, sigilosa e acolhedora para pessoas que estejam enfrentando dificuldades relacionadas ao controle das apostas.

O acompanhamento profissional também funciona como uma porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). A partir da avaliação de cada caso, o usuário pode ser orientado sobre a continuidade do cuidado dentro da rede pública de saúde.

O Ministério da Saúde destaca que o problema relacionado às apostas deve ser tratado como uma questão de saúde e que a busca por ajuda profissional pode ocorrer antes que as consequências provoquem prejuízos maiores à vida pessoal, familiar e financeira.

O Meu SUS Digital já disponibiliza informações sobre serviços de saúde e permite ao usuário localizar estabelecimentos da rede, incluindo unidades de saúde e serviços de atenção psicossocial.

Mais de 1 milhão já pediram autoexclusão

A ampliação do atendimento ocorre em um cenário de crescimento da procura por mecanismos de proteção contra o uso problemático de apostas.

Segundo dados apresentados pelo governo, mais de 1 milhão de pessoas solicitaram a autoexclusão do CPF de sites e aplicativos de apostas por meio da Plataforma Centralizada de Autoexclusão, ferramenta vinculada ao Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas.

Desse total, 35% das pessoas teriam recorrido à autoexclusão por perceber perda de controle sobre as apostas.

A ferramenta de autoexclusão tem finalidade preventiva e permite que o cidadão solicite o bloqueio voluntário do acesso às plataformas autorizadas, enquanto o atendimento do SUS busca oferecer suporte na área da saúde.

Quais são os sinais de alerta?

O Ministério da Saúde chama atenção para comportamentos que podem indicar que a relação com as apostas está causando prejuízos e exigindo atenção profissional.

Entre os principais sinais estão:

  • mudanças no sono, na alimentação ou no humor;
  • mentir para familiares ou amigos sobre o envolvimento com apostas;
  • sentimentos de vergonha ou culpa relacionados à prática;
  • ansiedade, irritabilidade ou inquietação quando não está jogando;
  • utilização das apostas como forma de lidar com estresse ou frustração;
  • dificuldade para reduzir ou interromper o comportamento;
  • prejuízos nas relações pessoais, familiares ou profissionais;
  • aumento do consumo de álcool ou outras drogas;
  • comprometimento do orçamento pessoal ou familiar em razão dos gastos com apostas.

A presença de um ou mais desses sinais não significa, isoladamente, que uma pessoa tenha um transtorno. No entanto, pode indicar a necessidade de conversar com um profissional de saúde para avaliar a situação.

Fatores podem aumentar a vulnerabilidade

De acordo com o Ministério da Saúde, alguns fatores podem aumentar a vulnerabilidade a problemas relacionados às apostas. Entre eles estão a exposição precoce a jogos de aposta, a facilidade de acesso ao ambiente online e a utilização do jogo como tentativa de aliviar emoções negativas ou escapar de problemas.

Também são apontados como fatores de risco o histórico de transtornos mentais, a impulsividade, a busca por recompensas imediatas, influências sociais que romantizam o jogo, a solidão, o isolamento social e situações de vulnerabilidade social.

A combinação desses fatores pode contribuir para uma relação problemática com as apostas, especialmente quando a pessoa passa a ter dificuldade para controlar o comportamento.

Prejuízos podem ultrapassar a questão financeira

Um dos principais alertas das autoridades de saúde é que os problemas relacionados às apostas não se restringem às perdas financeiras.

A dificuldade de controlar o comportamento pode afetar relacionamentos familiares, desempenho profissional ou escolar, rotina de sono, alimentação, humor e saúde mental. Em situações mais graves, a pessoa pode esconder o comportamento de pessoas próximas e comprometer recursos destinados às despesas pessoais ou familiares.

Por isso, a orientação do SUS é buscar ajuda quando houver percepção de perda de controle ou quando as apostas começarem a provocar prejuízos na vida cotidiana.

Como funciona o acesso pelo Meu SUS Digital

O Meu SUS Digital é a plataforma oficial de saúde digital do Ministério da Saúde. O serviço está disponível por aplicativo para dispositivos móveis e também pela internet. O acesso é realizado por meio da conta Gov.br.

Além dos serviços digitais, a plataforma permite consultar informações relacionadas à rede de saúde e localizar unidades e serviços de atenção psicossocial.

A expansão dos teleatendimentos representa uma tentativa de ampliar o acesso ao cuidado e facilitar o primeiro contato de pessoas que, muitas vezes, podem ter dificuldade ou vergonha de procurar atendimento presencial.

Procura por ajuda é parte do tratamento

Para o Ministério da Saúde, reconhecer que existe perda de controle é um passo importante para interromper a evolução do problema. O atendimento profissional permite avaliar cada situação individualmente e indicar o acompanhamento adequado dentro da rede pública.

A ampliação da capacidade para até 100 mil teleatendimentos mensais busca justamente facilitar esse primeiro contato e oferecer uma alternativa de atendimento remoto para quem precisa de orientação e acompanhamento.

O objetivo é que a pessoa não enfrente sozinha as consequências do comportamento e possa receber assistência de acordo com suas necessidades, dentro da estrutura do SUS.

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Da Redação do Agenda Capital

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